26 de jan. de 2010

Novo pacto federativo

Kaefer: repasses federais são insuficientes para prefeituras manterem serviços essenciais

Apesar da liberação emergencial de recursos pelo governo federal para compensar perdas nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de 2009, o deputado Alfredo Kaefer (PR) alerta que as prefeituras continuarão carentes de recursos para oferecer à população serviços básicos de qualidade nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.

Desequilíbrio federativo - Segundo o parlamentar, os pouco mais de R$ 500 milhões a serem liberados pela União nesta semana não resolverão o problema dos prefeitos. “Esse montante não é suficiente para recompor as perdas e a grande maioria dos municípios de pequeno e médio porte enfrentará sérias dificuldades para manter serviços essenciais”, alerta. Para Kaefer, a intenção do Planalto é manter os prefeitos submissos e dependentes da liberação de recursos de Brasília.

“Trata-se, na verdade, de uma estratégia para manter milhares de prefeituras atreladas ao projeto político do governo em ano eleitoral”, avalia, ao reiterar que o ideal seria “dar independência financeira aos municípios”.
Uma solução definitiva para a carência de recursos e a submissão das prefeituras ao governo federal foi apresentada pelo tucano por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 406.

A ideia é promover uma mudança no pacto federativo e na repartição do bolo tributário. Caso seja aprovada, a PEC aumentará de 25% para 30% a participação dos municípios nas receitas de ICMS e 21,5% para 24,5% o percentual do FPM. A proposta determina também que a União entregue 23,5% do produto das arrecadações das contribuições sociais - sobre a receita ou o faturamento bruto e sobre o lucro - para que as prefeituras apliquem em serviços de saúde pública.

“Essas modificações dariam a necessária e justa independência financeira aos municípios e possibilitariam investimentos maciços nas áreas de educação e saúde, setores nos quais os municípios têm mais competência para administrar do que os estados e o governo federal”, avalia Kaefer.

Ainda segundo ele, a sociedade tem poder de fiscalização sobre os prefeitos do que sobre o presidente, ministros ou governadores. “Nos municípios, a sociedade participa mais intensa e diretamente das decisões, pois está mais próxima da administração por meio dos conselhos e entidades representativas”, afirma o tucano.


Para Kaefer, é “crucial" corrigir a distorção em vigor e construir um pacto federativo baseado no equilíbrio entre os entes federados. “Não é possível manter um sistema no qual a União fica com 60% da arrecadação e os municípios com 17% em média”, enfatiza. A PEC 406 tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A expectativa de Kaefer é de que a matéria receba parecer favorável e vá a plenário para votação ainda neste ano. (Da redação com assessoria do deputado/Foto: Du Lacerda)


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