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17 de ago. de 2010

Furada internacional

Lula tentou tirar proveito pessoal no caso da iraniana, afirmam tucanos

Não será aceita nenhuma forma de interferência de outros países nos assuntos internos iranianos. A afirmação faz parte do comunicado divulgado ontem (16) pela Embaixada do Irã no Brasil em referência à tentativa do governo Lula de dar asilo político à iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por suposto adultério. Ainda segundo o comunicado do governo do Irã, há quem tente tirar proveito do caso para obter benefícios eleitorais.

Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Emanuel Fernandes (SP), quem tenta se aproveitar da situação é o próprio presidente Lula. De acordo com o deputado, o presidente ofereceu asilo à iraniana apenas para desfazer a imagem que criou ao apoiar o Irã em seu programa nuclear.

Apesar das graves declarações sobre a posição do Brasil nessa questão humanitária, o governo parece ainda não saber como reagir. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, evitou comentar as declarações. Mas o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse acreditar que ainda há espaço para negociação.

E em entrevista à "Agência Brasil", o ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, chegou a chamar o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de ditador. “Se ele tiver o mínimo de bom senso permitirá que ela venha morar no Brasil e seja salva”, disse Vanucchi.

Segundo o deputado tucano, o presidente Lula se ofereceu para receber a iraniana por "uma questão de marketing pessoal".
“Estão jogando na defesa, corrigindo a postura que passaram para a opinião pública de que o país tem duas políticas de direitos humanos: uma para os amigos e outras para os adversários. Querem evitar que seja explorada essa dupla postura do governo do PT”, afirmou.

O embaixador iraniano em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, negou, na última semana, que o Brasil tenha feito uma proposta formal de asilo à mulher. Desde então, Brasília e Teerã haviam se calado em relação ao caso. O comunicado iraniano, no entanto, questiona se a concessão do asilo poderia estimular novos crimes no Irã.

No Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Azeredo (MG), tem a mesma opinião do colega da Câmara. Segundo ele, o Itamaraty está realizando uma jogada política para tentar corrigir erros anteriores. “Enquanto isso, nós que fazemos oposição ao governo estamos apenas cumprindo o nosso papel de denunciar que o Brasil errou e o governo Lula embarcou numa canoa furada”, ressaltou.

Frase:
"O Brasil precisa claramente se posicionar, independentemente de ser próximo ou não do Irã. Temos que mostrar que somos contra a violação dos direitos humanos".
Dep. Emanuel Fernandes (SP)


(Reportagem: Djan Moreno/Fotos:Eduardo Lacerda)

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12 de ago. de 2010

Diplomacia isolada

Posição do governo brasileiro em relação ao Irã é incoerente e lamentável, diz Pauletti

Integrante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o deputado Professor Ruy Pauletti (RS) voltou a criticar o isolamento do Brasil diante das grandes nações e a aproximação do governo brasileiro com o polêmico regime iraniano. Contrariado, o presidente Lula assinou na última terça-feira (10) o decreto que expande as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear do país islâmico. O Brasil é membro não permanente do colegiado e votou contra a resolução pela quarta rodada de sanções contra aquele país. Essa proposta, contudo, teve a aprovação de outros 12 integrantes do conselho em junho último.


O tucano reprovou as declarações do chanceler Celso Amorim, para quem as sanções contra o Irã “são inoportunas e contraproducentes”. “O governo brasileiro continua afirmando que é contra as medidas, mas assinou o decreto. Essa situação é, no mínimo, ridícula”, condenou.

De acordo com Pauletti, a “dubiedade” do Ministério de Relações Exteriores e do presidente Lula são conhecidas internacionalmente. Para ele, a posição do governo brasileiro é “incoerente” e “lamentável”. O Brasil se aproximou nos últimos meses do Irã e defendeu que o país tem direito a um programa nuclear pacífico.

“É uma grande vergonha brasileira. A posição em relação ao Irã é incoerente. Fico admirado ao saber que o Brasil assinou o decreto e continue a dizer que era contra. Isso não faz sentido. É algo de quem não sabe conduzir a política externa”, criticou o parlamentar.

A nova rodada de sanções é uma punição pelo fato de o Irã manter enriquecimento de urânio em seu território, o que viola resolução anterior do Conselho. Com o decreto, fica proibida a venda para o Irã de armamentos pesados, como helicópteros, mísseis e navios de guerra. Além disso, haverá fiscalização de barcos com cargas suspeitas a caminho do país do Oriente Médio e vindos de lá, além do monitoramento de transações bancárias para evitar o financiamento de atividades nucleares.

Encontro com participação brasileira fracassou
Brasil e Turquia assinaram em maio um acordo com o Irã que estabelece a troca, em território turco, de 1.200 kg de seu urânio levemente enriquecido (a 3,5%) por 120 kg de combustível enriquecido a 20%, destinado ao reator de pesquisas médicas de Teerã. A iniciativa, contudo, foi ignorada pelas grandes potências por não incluir a exigência de que Teerã interrompesse o enriquecimento de seu urânio. Há suspeitas de que esse material possa ser usado para a construção de uma bomba atômica.

(Reportagem: Alessandra Galvão/Foto: Eduardo Lacerda)

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1 de jul. de 2010

Relações exteriores

Deputados veem com desconfiança nova tentativa de acordo com Irã

Os deputados Emanuel Fernandes (SP) e Renato Amary (SP) criticaram nesta quinta-feira (1º) as declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de que Brasil e Turquia devem participar de uma nova etapa da rodada de negociações na tentativa de encerrar o impasse sobre o programa nuclear do Irã.

“O Brasil foi arrogante lá atrás, ao se manifestar na seguinte linha: 'Olha, vocês não conseguem fechar esse acordo. Eu fecho e está aqui pronto para vocês'. Mas não é assim, pois essa percepção de segurança tem que envolver todos. E o governo brasileiro não conseguiu convencer as potências mundiais”, lembrou Emanuel, que preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Amary disse não entender o porquê de o governo brasileiro insistir em se envolver numa questão que o país é incompetente para encontrar uma solução. “Como se não bastasse o passa-moleque que tivemos recentemente, o Brasil ainda insiste nesse assunto. Quase o mundo todo é contrário à posição do Irã, mas o Itamaraty insiste em estar de mãos dadas não só com a Turquia, mas também com o regime de Mahmoud Ahmadinejad", declarou. Para ele, o posicionamento do governo do PT é bastante inoportuno.

Ainda de acordo com o tucano, Lula deveria se preocupar mais com outras bandeiras internacionais, como a ampliação dos mercados para os produtos brasileiros, o que ampliaria os empregos locais.

A proposta do chanceler Celso Amorim é reunir Estados Unidos, Rússia, França e a Agência Internacional de Energia Atômica, além do governo iraniano, para tentar uma nova definição a respeito do posicionamento de Mahmoud Ahmadinejad de enriquecer urânio. Neste caso, mais uma vez Brasil e Irã intermediariam eventual acordo. Há uma forte desconfiança internacional de que o material enriquecido possa ser usado para fabricação de bombas atômicas.(Reportagem: Arthur Filho/Fotos: Eduardo Lacerda)

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28 de jun. de 2010

Acordo delicado

Tucanos esperam que Irã não seja tema de reunião entre presidentes do Brasil e da Síria

O presidente Lula receberá, na próxima quarta-feira (30), a visita do presidente da Síria, Bashar al-Assad. Apesar de o governo brasileiro não ter divulgado a agenda, a expectativa é de que a questão nuclear iraniana entre na pauta. Integrantes da Comissão de Relações Exteriores, os deputados Luiz Carlos Hauly (PR) e Renato Amary (SP) esperam que o tema não seja debatido, pois o Brasil já está com a imagem arranhada no cenário internacional por apoiar o programa nuclear conduzido pelo regime islâmico.

A menos de um mês, o Itamaraty amargou uma derrota no Conselho de Segurança das Nações Unidas ao votar, junto com a Turquia, contra a aplicação de uma nova rodada de sanções aos iranianos.

Pelo acordo mediado pelos dois países, o Irã se compromete a enviar urânio para a Turquia, de onde o material seria encaminhado para enriquecimento na Rússia e na França. O acordo foi rejeitado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que, liderados pelos EUA, aplicaram uma nova rodada de sanções contra o Irã.


Na avaliação de Hauly, o Itamaraty não deve mais se meter com o regime de Mahmoud Ahmadinejad. “O Brasil deveria dar sua contribuição e fazer alguma coisa pela paz do Oriente Médio. Mas em relação ao Irã, o Brasil deve ficar fora, porque já se deu mal o suficiente”, ressaltou. “Espero que a vinda do presidente da Síria se concentre na questão da Palestina e no Oriente Médio, sem envolver a questão iraniana. Qualquer tentativa de resgatar essa questão não será bem vinda”, alertou.

O encontro foi acertado em abril deste ano, num contexto diferente do atual. Na época, predominava o interesse do Brasil como facilitador de uma negociação de paz entre israelenses e palestinos. Agora, há o risco da questão iraniana entrar na agenda de discussões porque a Síria é um dos maiores aliados de Ahmadinejad.

Amary, por sua vez, considerou um absurdo o Brasil tentar novamente levantar o tema. “O presidente Lula deveria ficar mais quieto em relação a esse assunto, pois já estamos numa situação bastante delicada no cenário internacional. Esse posicionamento do presidente é equivocado”, afirmou, ao contestar a posição de Lula de tentar avançar nesse acordo.

O tucano lembrou que apenas dois países - Brasil e Turquia - apoiam o Irã com seu programa nuclear. Amary acredita que a tentativa de um avanço pode provocar ainda mais a ira dos outros países. (Reportagem: Letícia Bogéa/ Fotos: Eduardo Lacerda)

Expectativa
“Diferentemente do que ocorre com o Irã, a relação com a Síria é mais tranquila e tem sido mais moderada no relacionamento com o Oriente Médio. Espero que o governo brasileiro consiga separar o assunto Irã, que não tem nada a ver com a Síria, e adote uma política diplomática para a região.”
Deputado Luiz Carlos Hauly (PR)

Segundo previu um diplomata ouvido pelo jornal "O Globo", espera-se que Lula peça a Assad para convencer o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad a manter sobre a mesa a Declaração de Teerã, que estabelece um acordo de troca de urânio levemente enriquecido por combustível entre o país persa e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).Brasil e Turquia são signatários do documento, firmado em 17 de maio.

No dia 09 de junho, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a 4ª rodada de sanção contra o programa nuclear iraniano.

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21 de jun. de 2010

Acordo nuclear

Tucano afirma que governo Lula despertou do sonho de mediar acordo com Irã

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional na Câmara, deputado Emanuel Fernandes (SP), disse nesta segunda-feira (21) que o governo brasileiro finalmente despertou e desistiu de tentar mediar acordos com o Irã. Em entrevista ao jornal inglês Financial Times, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou que o Brasil decidiu não prosseguir à frente das negociações com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Segundo o chanceler, o governo do presidente Lula queimou os dedos ao ir na contramão de Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.

De acordo com Emanuel, o governo Lula achava que a negociação seria fácil. “Tenho a impressão que o governo acordou de um sonho que estava tendo. Eles achavam que seria um jogo fácil resolver essa questão do programa nuclear iraniano”, ressaltou.

“Há um perigo muito grande e a possibilidade de o Irã estar produzindo material para a obtenção de um artefato nuclear. Creio que baixou o bom senso do governo brasileiro. Sandália da humildade não faz mal à ninguém”, acrescentou o tucano.

Segundo Emanuel, o presidente Lula não aguentou a pressão e a irritação dos governantes, sobretudo dos países emergentes do Grupo dos Cinco (G5). “Finalmente o governo foi prudente. Aquela euforia dos representantes brasileiros em resolver o acordo sobre o programa nuclear iraniano cessou”, afirmou. O parlamentar disse, ainda, que o presidente Lula deveria ter atuado diplomaticamente, mas sem cantar vitória antecipada.
→ Pelo acordo, mediado por Brasil e Turquia e rejeitado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o Irã se comprometeu a enviar 1.200 quilos de urânio para ser enriquecido na Rússia e França. Há suspeitas de que o país use o combustível secretamente para a fabricação da bomba atômica.
→ O conselho da ONU, liderado pelos EUA, aplicou na última semana uma nova rodada de sanções contra o Irã. O país havia afirmado que continuaria enriquecendo urânio a 20%, mesmo com o tratado turco-brasileiro.

(Reportagem: Artur Filho/ Foto: Eduardo Lacerda)

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14 de jun. de 2010

Vaga na ONU

Marisa Serrano: apoio de Lula ao Irã pode fazer o Brasil perder vaga no Conselho de Segurança da ONU

A senadora Marisa Serrano (MS) afirmou nesta segunda-feira (14) que o apoio do presidente Lula ao programa nuclear do Irã pode fazer o Brasil perder a tão sonhada vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. “Um país que aspira ser líder mundial e se coloca ao lado de um ditador, sinaliza ao mundo ser contra algo buscado por todas as nações: a luta pela liberdade”, avaliou a tucana, ao se referir ao regime comandado por Mahmoud Ahmadinejad.


Segundo matéria publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo”, a atuação do Brasil em relação ao acordo nuclear do Irã deteriorou a imagem da diplomacia brasileira e tornou praticamente inviável o sonho de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Para a senadora, o desejo do Brasil ficou mais distante. “Nós já temos um retrato de como ficamos isolados neste contexto. Portanto, acredito que vai ser muito mais difícil para o Brasil assumir a vaga que o Lula tanto sonhou”, afirmou Marisa.


A reportagem apurou, ainda, que a posição do governo Lula deixou as autoridades russas irritadas e incomodadas com a pretensão brasileira e turca de se envolverem em questões internacionais.

Segundo a tucana, o presidente Lula poderia até dar um tom conciliador ao acordo internacional, mas não interferir e chamar a responsabilidade para si. “Me preocupa muito todo o tipo de decisões internacionais tomadas pelo governo Lula. Somos protagonistas de algo que não queremos. Ele leva o nome do Brasil, de todos os brasileiros para apoiar algo que nós repudiamos”, condenou a parlamentar.

→ Reportagem do "Estadão" traz a informação de que um diplomata do alto escalão dos Estados Unidos na ONU afirmou que o Brasil não deveria defender quem viola as regras mundiais. Além disso, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o Brasil decepcionou.


→ O Irã anunciou que dará início a construção de uma nova usina de enriquecimento de urânio em março de 2011. Um plano para construção de dez novas usinas de enriquecimento, capazes de processar urânio e transformá-lo em combustível para usinas de energia nuclear foi aprovado pelo país.


→ O receio do mundo é que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não use o metal para fins pacíficos, mas para produzir a bomba atômica.


(Reportagem: Artur Filho/ Foto: Eduardo Lacerda)

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