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19 de jul. de 2010

Perda precoce

Tucanos lamentam morte de Luiz Barradas

O secretário de Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata (foto), morreu na noite do último sábado (17) vítima de infarto do miocárdio. Médico sanitarista, um dos fundadores do Sistema Único de Saúde (SUS), Barradas recebeu as últimas homenagens de vários políticos e profissionais da área médica no velório do último domingo (18) em São Paulo. Deputados do PSDB e colegas tucanos como o governador do estado, Alberto Goldman, e o candidato do partido à Presidência da República, José Serra, manifestaram pesar pela morte precoce de Barradas aos 57 anos.

"Não é pouca a contribuição que eles têm dado ao nosso país. Por exemplo, as campanhas de vacinação, numerosas, abrangentes e benfeitas, num país tão grande, heterogêneo e repleto de localidades pobres. Ou a criação do SUS, um sistema único da saúde inovador entre os países em desenvolvimento, que só precisa de governos bons para funcionar melhor", lembrou Serra, se referindo aos sanitaristas, em artigo publicado no jornal "Folha de São Paulo".

O candidato tucano teve Barradas como assessor no Ministério da Saúde entre 1998 e 2002. "Foi-se um amigo querido e o Brasil perdeu um homem de grande valor, um médico sanitarista dedicado de corpo e alma às políticas públicas”, disse Serra.

Goldman ressaltou que Barradas teve grande participação nas conquistas da gestão tucana na área de saúde em todo o estado. “Todos os avanços que tivemos em São Paulo nos últimos anos tiveram a participação decisiva dele”, afirmou o governador.

"Sempre tive dele um exemplo de servidor público, com enorme capacidade, dinamismo fabuloso e muito espírito público. Foi um dirigente que jamais deixou de considerar questões justas, relevantes e prioritárias na área de saúde", reconheceu o deputado Duarte Nogueira (SP), que foi colega do sanitarista durante o governo de Geraldo Alckmin.

Para o deputado, o médico sempre será a melhor referência do setor para todo o Brasil. "Era alguém que não só conhecia a fundo o SUS, mas que conseguiu transformar sonhos em realidade. Lamentamos profundamente a perda precoce do Barradas. O exemplo dele servirá de lição e de referência para todos nós", completou Duarte Nogueira.

O secretário de saúde deixou dois filhos e um neto. O corpo de Barradas será cremado nesta segunda-feira (19) no crematório da Vila Alpina, na Zona Leste de São Paulo.

Perfil de realizações

Sob seu comando, como secretário e secretário-adjunto, a Secretaria de Estado da Saúde entregou 31 novos hospitais e implantou o modelo de Organizações Sociais de Saúde para gerenciamento de unidades públicas de saúde. Barradas também criou o programa Dose Certa para distribuição gratuita de medicamentos básicos à população e construiu o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

O secretário entregou duas novas fábricas de remédios e construiu uma fábrica de vacinas, além de idealizar e entregar os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades).

Barradas Barata era médico formado pela Santa Casa de São Paulo em 1976. Em 1978 especializou-se em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Tinha especialização em Administração de Serviços de Saúde e Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O médico ocupou cargo de assessor dos ex-ministros de Saúde, Adib Jatene e José Serra. Foi chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo na gestão do ex-prefeito Mario Covas e secretário adjunto de saúde no Governo Covas/Alckmin. Estava na Secretaria Estadual de Saúde desde janeiro de 2003.

(Reportagem: Lúcio Lambranho e Alessandra Galvão com informações da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo/Fotos: Portal do governo do estado de SP e Eduardo Lacerda)

21 de jun. de 2010

Sabatina

Necessidades do Brasil são defendidas por Serra em sabatina

Expansão do Ensino Técnico, combate ao tráfico de drogas, reforma tributária e melhorias na Saúde. Para deputados do PSDB, estes são alguns dos principais avanços que o Brasil precisa obter nos próximos anos. As mesmas bandeiras foram defendidas nesta segunda-feira (21) pelo candidato tucano à Presidência da República, José Serra, durante sabatina realizada pelo jornal “Folha de São Paulo” e pelo Portal Uol.

Respondendo a uma série de questionamentos de jornalistas e internautas, o presidenciável defendeu mais atenção governamental com estas áreas e afirmou que houve, nos últimos anos, uma estagnação em diversos setores. Segundo ele, a Saúde pode obter mais recursos sem a necessidade de um novo imposto. O tucano defendeu que a criação ou extinção de qualquer tributo só deve ser feita no contexto de uma reforma. Além disso, citou o exemplo paulista das escolas técnicas que devem gerar 100 mil novas vagas até o fim deste ano. Serra também criticou o governo federal por não tomar atitudes capazes de combater o tráfico de entorpecentes nas fronteiras com países como a Bolívia.

Saúde

“É claro que o setor necessita de recursos, mas precisa também de gestão eficiente. Concordo com Serra quando ele diz que precisamos diminuir a gastança e fazer uma reforma tributária e assim dar mais qualidade de vida à população. Só a regulamentação da Emenda 29, por exemplo, irá assegurar R$ 26 bilhões a mais para a área. O presidente Lula já afirmou que é favorável a ela, mas nos bastidores de seu partido a ordem é não permitir a aprovação do projeto. Falta colocar esse discurso em prática e permitir a regulamentação que, unida a uma boa gestão, irá gerar grandes avanços para a área”.
Dep. Raimundo Gomes de Matos (CE)


Educação

“O ensino técnico tem curta duração e isso permite a inserção do cidadão no mercado de trabalho mais rapidamente e naquelas funções que ele precisa. O trabalho das escolas técnicas é muito importante. Com ele, estamos colocando o Brasil diante da realidade do mercado de trabalho. A experiência do estado de São Paulo, sob o comando de Serra, é um exemplo para o país.”
Dep. Professor Ruy Pauletti (RS)



Segurança pública e combate ao tráfico

“A única coisa feita no Brasil para combater o tráfico de drogas foi a Lei Antidrogas em 2006, que se tornou sem eficácia porque o governo nada fez para aplicá-la. A lei, por si só, não produz efeito se o Executivo não criar as condições para implementá-la. É preciso avançar e nós não avançamos no governo Lula. É necessário aumentar efetivos da polícia federal, dar os recursos necessários para operar nas áreas de fronteiras tanto do ponto de vista tecnológico quanto de capacitação, aprimorar o sistema de operação da Polícia Federal com as Forças Armadas e as polícias estaduais”.
Dep. João Campos (GO)

(Reportagem: Djan Moreno/Fotos:Eduardo Lacerda)

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17 de jun. de 2010

Dossiê não era fantasia

Ex-delegado confirma ter recebido convite para elaborar dossiê contra Serra


Em audiência na Comissão Mista de Inteligência do Congresso nesta quinta-feira (17), o ex-delegado da Polícia Federal Onézimo de Souza confirmou que foi procurado para investigar o candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Segundo ele, o convite foi feito por petistas ligados à pré-campanha de Dilma Rousseff que lhe ofereceram R$ 1,6 milhão pelo serviço. O líder da Minoria na Câmara, deputado Gustavo Fruet (PR), autor do requerimento para a realização da audiência, considerou o depoimento esclarecedor e defendeu que novas ações sejam tomadas em relação ao caso.

De acordo com Onézimo, em abril deste ano, durante reunião com os jornalistas Luiz Lanzetta e Amaury Ribeiro Jr, o empresário Benedito de Oliveira Neto e o ex-sargento do serviço secreto da Aeronáutica Idalberto Martins, o "Dadá", foi feito o convite para monitorar o comitê da campanha de Dilma, já que informações estavam vazando. Mas, o alvo principal das investigações seria o ex-governador de São Paulo e, por isso, Onézimo não aceitou a proposta.

Para Fruet, é necessário que as outras pessoas citadas também prestem esclarecimentos. O tucano defendeu investigações na Polícia Federal e no Ministério Público. “Já pedimos a abertura de inquérito na PF e no MP e uma auditoria no Tribunal de Contas da União e na Controladoria Geral. Além da questão do dossiê, existe uma outra ainda maior que diz respeito ao núcleo da campanha do PT e uma possível triangulação de financiamento eleitoral”, alertou.
O suposto dossiê seria pago por Benedito, que é dono da Dialog - empresa que presta serviços exclusivos para diversos órgãos do governo federal e faturou cerca de R$ 40 milhões em contratos com o Executivo nos últimos anos.

Além disso, há a suspeita de que Dadá ainda teria vinculo com o Estado. Fruet adiantou que, caso esse fato se confirme, a comissão deve convocá-lo. O tucano irá pedir informações à Aeronáutica para saber onde o ex-agente estava atuando e por que pessoas da área de inteligência são procuradas para esse tipo de atividade. Dadá também havia sido convidado para prestar depoimento à comissão mista, mas não se manifestou sobre o convite.


Onézimo confirmou que o deputado Marcelo Itagiba (RJ) também seria alvo da espionagem. O parlamentar resumiu o episódio como uma briga interna do PT que extrapolou os limites do partido para atingir adversários, entre eles, José Serra.

Para o senador Álvaro Dias (PR) , o depoimento de Onézimo serviu para elucidar algumas questões. “Ele assumiu que foi procurado para realizar espionagem política. A PF e o MP tem um instrumento a buscar que é a gravação. Não tenho dúvida de que esse material existe e que é sua carta na manga”, afirmou o tucano ao se referir às declarações do ex-delegado sobre a possibilidade de o encontro com os petistas ter sido gravado. Em entrevista, Onézimo afirmou que “se a gravação existir, ela será entregue na hora certa”.

A frase

“Onézimo ratificou o que já havia sido publicado, mas com detalhes. A operação foi abortada, mas ele confirmou que foi procurado por um grupo de pessoas que se dizia trabalhar em nome da campanha petista para fazer esse dossiê”.
Deputado Gustavo Fruet (PR)


→ De acordo com o ex-delegado, Luiz Lanzetta se apresentou a ele como representante do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, coordenador geral da campanha de Dilma.

→ A principio, a proposta feita a Onézimo era para que ele investigasse Rui Falcão e Valdemir Garreta, petistas suspeitos de vazar informações da campanha de Dilma, mas o pedido se estendeu para investigações sobre tucanos.

(Reportagem: Djan Moreno/ Foto: Eduardo Lacerda)

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