4 de out. de 2010

Lideranças regionais

Para tucanos, vitórias nos estados confirmam capacidade de gestão do PSDB

O PSDB conquistou quatros governos (SP, MG, PR e TO) estaduais já no primeiro turno nas eleições de 2010 e pode se tornar a legenda com o maior número de governadores a partir do próximo ano. No segundo turno, o partido concorrerá em Goiás, Pará, Alagoas, Roraima e Piauí. Para deputados da legenda, as vitórias nesses estados confirmam a capacidade das gestões tucanas, aclamadas pela população inclusive nos dois maiores colégios eleitorais do país (MG e SP).

Além disso, a votação expressiva de lideranças regionais também demonstra a confiança do eleitorado em três ex-governadores e dois candidatos à reeleição: Siqueira Campos (TO), Marconi Perillo (GO) e Simão Jatene (PA); além de Teotônio Vilela (AL) e José de Anchieta Júnior (RR).

Para o deputado reeleito José Aníbal (SP), a vitória de Geraldo Alckmin com 50,6% dos votos válidos para o governo estadual representa a confiança dos paulistas no modelo tucano de governar. Há 16 anos o partido está no comando do Palácio dos Bandeirantes.

“São Paulo tem uma população exigente e que reconhece que o PSDB não se acomodou em nenhum momento. O partido procurou sempre fazer mais e melhor, e agora fará um governo ainda mais inovador. E vai levar o estado a um novo patamar de qualidade de vida, de bem-estar, de salário para a nossa gente e de serviços públicos de qualidade”, afirmou o parlamentar, que foi coordenador do plano de governo de Alckmin.

Em Minas, a população também confirmou a preferência pela forma tucana de administrar e reelegeu Antonio Anastasia, que estava no cargo desde março em substituição a Aécio Neves. O senador Eduardo Azeredo (MG), que assumirá mandato na Câmara, comemorou a escolha. Para o parlamentar, seu estado continuará nos trilhos do progresso, como tem sido há oito anos sob a liderança tucana.

“É uma vitória da razão. Os mineiros votaram refletindo no que será melhor para o estado. Viram que Minas foi muito bem sob a liderança de Aécio Neves, tendo Anastasia como vice, e quiseram continuar com essa proposta correta, moderna e sem demagogia”, destacou.

Também reeleito, o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) disse que a vitória de Beto Richa para o Governo do Paraná desmentiu os institutos de pesquisa e reafirmou a vontade do povo paranaense de ter um governante ético e competente. “Teremos um dos maiores governos de nossa história, liderado por Beto Richa que, sem dúvida, vai fazer grandes mudanças, melhorar a educação, a saúde e as estradas do Paraná. Será o governador da micro e pequena empresa e do setor produtivo. Ele vai dar atenção aos trabalhadores”, afirmou.

Representante tucano do estado de Tocantins na Câmara, o deputado reeleito Eduardo Gomes (TO) comemorou a vitória de Siqueira Campos para o Palácio Araguaia. Será o quarto mandato do tucano, que também foi o primeiro governador do mais jovem estado brasileiro. “Essa vitória representa a eleição de um projeto de desenvolvimento para o estado”, disse.

Otimismo para o 2º turno
Em Goiás, o senador e ex-governador Marconi Perillo vai para o segundo turno depois de receber 46,3% dos votos na primeira etapa da eleição. O tucano irá disputar a preferência do eleitor com Iris Rezende (PMDB), que obteve 36% dos votos. “Os goianos podem esperar por um governo ousado e pró-ativo. Marconi sempre ousou. Suas marcas são a coragem e a ousadia. Eu não tenho dúvida nenhuma de que em seu terceiro governo será ainda mais ousado”, afirmou o deputado Carlos Alberto Leréia (GO), também reeleito.


No Pará, o ex-governador Simão Jatene também disputará a eleição em segundo turno. O tucano, que obteve 48,9% dos votos válidos, disputará com a atual governadora, Ana Júlia Carepa (PT), que alcançou 36%.

Para o deputado Nilson Pinto (PA), a representativa votação do tucano representa a insatisfação da população com a atual administração. “Mostra, ao mesmo tempo, o reconhecimento do trabalho feito pelo Jatene quando ele foi governador. A comparação entre o mandato do tucano e da petista foi o parâmetro que orientou a população nessa vitória inicial do primeiro turno e que orientará na vitória definitiva do segundo turno”, afirmou.

Em Alagoas, o governador Teotônio Vilela Filho também poderá ser reeleito no segundo turno. Na primeira rodada ele obteve 39% dos votos contra 29% de Ronaldo Lessa (PDT). Em Roraima, José de Anchieta Júnior também tenta a reeleição. O tucano obteve 45% dos votos na primeira rodada contra 47% de Neudo Campos (PP). Ex-prefeito de Teresina, Silvio Mendes tentará se eleger no Piauí. O tucano disputa com Wilson Martins (PSB) o comando do Palácio Karnak. Mendes obteve 30% dos votos contra 46% do adversário. (Reportagem: Djan Moreno, com colaboração de Renata Guimarães/ Fotos: Eduardo Lacerda)

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Força nacional

Partido mantém terceira maior bancada da Câmara e dobra eleitos em Minas Gerais

Depois do fechamento das urnas, o PSDB manteve a terceira maior bancada na Câmara e elegeu cinco senadores. Em Minas Gerais, por exemplo, o partido dobrou a sua bancada de deputados federais. No Senado, o tucano Aloysio Nunes foi o primeiro senador eleito pela legenda por São Paulo desde 1994. O resultado contrariou as últimas pesquisas, que mostravam a vitória dos dois candidatos apoiados pelo presidente Lula e deixavam o tucano em terceiro lugar na disputa. Além disso, quatros estados que não tinham representantes pelo PSDB na Câmara elegeram deputados federais. São eles: Alagoas, Acre, Amapá e Mato Grosso do Sul.

Para o deputado Eduardo Barbosa (MG), a vitória tucana em seu estado ocorreu principalmente devido ao grande desempenho e ao bom trabalho do ex-governador Aécio Neves, eleito senador neste domingo (3). Na sua avaliação, o empenho do governo do PSDB foi reconhecido pela população mineira. Aécio teve 90% de aprovação popular ao longo de sua gestão.

“A população de Minas Gerais avaliou com muita precisão a competência do governo de Aécio Neves. Houve uma mudança no projeto estratégico para o estado e agora teremos uma continuidade a partir do governo de Antonio Anastasia”, ressaltou
o parlamentar nesta segunda-feira (4), um dos quatro tucanos mineiros reeleitos.

No segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais, o partido também conseguiu eleger o deputado mais votado: Rodrigo de Castro. Os novos deputados pelo estado são: Carlaile Pedrosa, Domingos Sávio, Eduardo Azeredo e Marcus Pestana.

O deputado Edson Aparecido (SP), por sua vez, ressaltou a importância de ter um senador na bancada do PSDB para representar o Estado de São Paulo. Para o tucano, a vitória do Aloysio é uma conquista de todos os paulistas. “É uma vitória importantíssima para São Paulo, que passa a ter agora um senador preocupado com os problemas do estado. Até agora tínhamos, na representação dos senadores do PT, parlamentares apenas preocupados com os problemas do seu partido”, lamentou.

O tucano um dos oito reeleitos por São Paulo, também destacou a trajetória do novo senador. “Agora teremos uma pessoa que já foi ministro, deputado federal, além de ter uma excelente relação com o Congresso”, acrescentou Edson Aparecido, que é vice-presidente nacional do PSDB.

Os quatro novos deputados eleitos pelo partido nos estados nos quais a legenda não tinha nenhum representante na atual legislatura foram: Rui Palmeira (AL), Márcio Bittar (AC), Luiz Carlos (AP) e Reinaldo Azambuja (MS). (Reportagem: Letícia Bogéa/ Fotos: Eduardo Lacerda e Ag. Câmara)

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Números

33,1 milhões
De votos foram dados a José Serra na disputa pela Presidência da República - 32,61% dos votos válidos.

53

É o número de deputados federais eleitos pelo PSDB em domingo. Com isso, a legenda mantém a 3ª maior bancada na Câmara, atrás apenas de PT e PMDB. SP e MG elegeram a maior quantidade de deputados: 13 e 8, respectivamente.

28
Deputados da atual bancada obtiveram a reeleição, sendo oito em São Paulo e quatro em Minas Gerais. Com isso, o índice de reeleitos é de 52,8%.

271.306
Foi a votação do secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro, o campeão nas urnas em Minas Gerais pela 2ª vez consecutiva.

270.661
É a quantidade de eleitores que votaram em Bruna Furlan em São Paulo, a recordista de votos pelo PSDB no estado. Nascida em Barueri, a tucana é formada em Direito e tem forte atuação em projetos sociais. Entre a bancada reeleita por SP, destaque para Emanuel Fernandes, votado por 218.789 eleitores.

52.183
Foi a quantidade de apoios nas urnas alcançada por Márcio Bittar, o mais votado no Acre para a Câmara dos Deputados.

62,2%
Foi o percentual dos votos válidos obtidos por Antonio Anastasia, governador reeleito de Minas Gerais. O tucano sucedeu Aécio Neves no estado, comandado pelo PSDB desde 2003. Em São Paulo, Geraldo Alckmin obteve 50,63% dos votos válidos. Em ambos os estados, que têm os maiores colégios eleitorais do país, os tucanos bateram candidatos apoiados pelo presidente Lula e pelo PT - o senador Aloisio Mercadante (PT-SP) e o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB-MG).

Mapa eleitoral

Veja na matéria abaixo a lista com os nomes dos tucanos eleitos.

Balanço das urnas

PSDB elege 53 deputados federais, 5 senadores e 4 governadores no 1º turno

O PSDB comprovou nas urnas, mais uma vez, seu papel de destaque no cenário político de Norte a Sul do país. Além de José Serra ter sido escolhido por 33 milhões de brasileiros para a Presidência, levando o tucano ao 2º turno com a petista Dilma Rousseff, o partido elegeu já neste domingo quatro governadores - inclusive nos dois maiores colégios eleitorais do país (SP e MG). Além disso, a legenda terá em cinco unidades da federação (AL, GO, PA, PI e RR) candidatos que disputarão uma segunda rodada de votações em 31 de outubro, abrindo a possibilidade de o PSDB comandar o maior número de estados a partir de 2011. No Congresso, a princípio serão 53 deputados e 10 senadores - sendo cinco eleitos neste 3 de outubro - que exercerão mandato na próxima legislatura.

É importante ressaltar que o TSE considerou nulos os votos dados a candidatos enquadrados pela Lei da Ficha Limpa. A decisão foi fruto da indefinição do Supremo Tribunal Federal sobre a validade da legislação para o atual pleito. Caso vençam na Justiça posteriormente, esses políticos terão seus votos considerados válidos e deverá haver nova proclamação de resultados. Isso pode levar a uma mudança do cálculo das bancadas e do quadro dos eleitos, tanto no Congresso quanto nos governos.

Na Câmara, 28 integrantes da atual bancada conquistaram a reeleição (nomes em negrito na lista abaixo). O secretário-geral do PSDB, Rodrigo de Castro, que já havia sido o deputado federal mais votado em MG em 2006, repetiu o feito: 271 mil pessoas o apoiaram nas urnas. No Senado, obtiveram um mandato até 2019 os seguintes tucanos: o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves; o ex-deputado federal Aloysio Nunes Ferreira (SP), que teve 11 milhões de votos no berço político do PSDB; o deputado federal Paulo Bauer (SC), além de Lúcia Vânia (GO) e de Flexa Ribeiro (PA), ambos reeleitos (nomes em negrito na lista).

O PSDB tem mais cinco senadores titulares com mandato até 2015: Alvaro Dias (PR), Cícero Lucena (PB), Mário Couto (PA), Marisa Serrano (MS) e Marconi Perillo, que foi para o 2º turno na disputa pelo Governo de Goiás.

Há, ainda, parlamentares das atuais bancadas do partido que disputaram cadeiras em outras casas legislativas com sucesso. É o caso do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), eleito deputado federal com a maior votação em sua coligação (167 mil), e do também senador Eduardo Azeredo (MG), que conquistou uma vaga na Câmara. Como já foi destacado, o deputado Paulo Bauer foi eleito senador em SC, enquanto o deputado Freire Junior obteve uma cadeira na Assembleia Legislativa de Tocantins. Já o deputado Rômulo Gouveia (PB) é vice do candidato a governador Ricardo Coutinho (PSB), que disputará o 2º turno.

Nos estados, os governadores tucanos eleitos derrotaram aliados do governo Lula. Em SP, Geraldo Alckmin foi escolhido para governar pela 3º vez o estado, comandado pelo PSDB há 16 anos. Já Antonio Anastasia, candidato à reeleição, venceu de virada as eleições em Minas Gerais, enquanto Beto Richa foi eleito governador do Paraná tendo o senador Flávio Arns como vice na chapa. Por sua vez, em Tocantins o partido ganhou com Siqueira Campos, que já ocupou o cargo. Os tucanos que concorrerão no 2º turno são: Teotonio Vilela Filho (AL), Marconi Perillo (GO), José de Anchieta Junior (RR), Simão Jatene (PA) e Sílvio Mendes (PI).

53,3 milhões
É o número de eleitores em SP, MG, PR e TO, estados onde o PSDB venceu a disputa para o governo já no primeiro turno.

Veja abaixo a lista dos candidatos a deputado, senador e governador pelo PSDB eleitos neste domingo

Região Centro-Oeste

Goiás
Câmara: Carlos Alberto Leréia, João Campos e Leonardo Vilela
Senado: Lúcia Vânia

Mato Grosso
Câmara: Nilson Leitão

Mato Grosso do Sul
Câmara: Reinaldo Azambuja

Região Nordeste

Alagoas
Câmara: Rui Palmeira

Bahia
Câmara: Antonio Imbassahy e Jutahy Junior

Ceará
Câmara: Raimundo Gomes de Matos

Maranhão
Câmara: Carlos Brandão, Pinto Itamaraty e Helio Santos

Paraíba
Câmara: Ruy Carneiro e Romero Rodrigues

Pernambuco
Câmara: Bruno Araujo e Sérgio Guerra.


Região Norte

Acre
Câmara: Márcio Bittar

Amapá
Câmara: Luiz Carlos

Tocantins
Câmara: Eduardo Gomes
Governador eleito: Siqueira Campos

Pará
Câmara: Nilson Pinto, Wandenkolk Gonçalves e Zenaldo Coutinho
Senado: Flexa Ribeiro

Roraima
Câmara: Berinho Bantim

Região Sudeste

Espírito Santo
Câmara: Cesar Colnago

Minas Gerais
Câmara: Carlaile Pedrosa, Domingos Sávio, Eduardo Azeredo, Eduardo Barbosa, Marcus Pestana, Narcio Rodrigues, Paulo Abi Ackel e Rodrigo de Castro.
Senado: Aécio Neves
Governador reeleito: Antonio Anastasia

Rio de Janeiro
Câmara: Andreia Zito e Otavio Leite

São Paulo
Câmara: Bruna Furlan, Carlos Sampaio, Dib, Duarte Nogueira, Emanuel Fernandes, Edson Aparecido, José Aníbal, Julio Semeghini, Luiz Fernando Machado, Mara Gabrilli, Mendes Thame, Ricardo Tripoli e Vaz de Lima.
Senado: Aloysio Nunes
Governador eleito: Geraldo Alckmin

Região Sul

Rio Grande do Sul
Câmara: Nelson Marchezan Junior

Paraná
Câmara: Alfredo Kaefer, Delegado Francischini e Luiz Carlos Hauly.
Governador eleito: Beto Richa

Santa Catarina
Câmara: Jorginho Mello e Marco Tebaldi
Senado: Paulo Bauer

Os nomes em negrito foram reeleitos. Há estados que até as 7h50 desta segunda-feira ainda não haviam totalizado 100% das urnas apuradas. O AC era a unidade da federação mais atrasada até então, com 98,49% do total.

(Reportagem: Marcos Côrtes/ Imagens: divulgação/CD e TSE)

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1 de out. de 2010

Blindagem eleitoral

Para Carlos Sampaio, CGU não tem isenção para investigar denúncias que atingem a Casa Civil

O deputado Carlos Sampaio (SP) afirmou nesta sexta-feira (1°) que a Controladoria Geral da União (CGU) não é um órgão isento e nem o mais competente para investigar as denúncias de tráfico de influência e de corrupção no Palácio do Planalto. O tucano criticou o resultado das auditorias feitas pela CGU em contratos envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra e integrantes de sua família.

A apuração da controladoria, vinculada à Presidência da República, só confirmou as irregularidades já apuradas pelos seus auditores, mas que não tinham sido divulgadas até o estouro do escândalo: o da existência de um esquema comandando por um irmão da ex-chefe da Casa Civil dentro da Universidade de Brasília (UnB).

Para o tucano, as apurações sérias sobre as denúncias de tráfico de influência devem ser feitas por órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União (TCU). “Não vejo a CGU como o órgão de investigação isento para poder emitir um parecer final sobre o assunto. Os órgãos que devem realmente se manifestar - pois têm autonomia, isenção e capacidade de investigação até muito mais acurada que a própria CGU - são o MPF e o TCU”, destacou o tucano.

Sampaio considerou a investigação rápida, incompleta e com intuito claro de poupar Erenice Guerra e o governo Lula às vésperas da eleição. O parlamentar destaca que a "agilidade" nas apurações só se deu por conveniência eleitoral, pois o resultado saiu a três dias das eleições e veio como resposta a um pedido do próprio presidente Lula.

Por isso, o deputado vê nas conclusões da CGU uma defesa política contra as denúncias que levaram à demissão de Erenice - braço direito da candidata do PT à Presidência. “Essa agilidade da CGU, quando o assunto é proteger o governo, chega a assustar. Todas as vezes que pedimos à controladoria que tome alguma medida contrária ao governo, a resposta é que suas investigações são lentas e demandam uma série de burocracias. Mas num caso que vai em defesa do governo, ela se esmera para agilizar, concluir e divulgar, o quanto antes, algo que é bom para o Planalto”, comparou Sampaio.

Dos diversos casos de irregularidades denunciados e que envolvem parentes e pessoas próximas à Erenice, o único que a CGU considerou haver falhas foi num contrato entre o Ministério das Cidades e a Fundação Universidade de Brasília. O caso envolve um irmão da ex-ministra da Casa Civil.

Euricélio Alves de Carvalho, segundo denúncia do jornal "Folha de S.Paulo", é um dos beneficiários de um esquema, revelado por auditoria da CGU, de desvios de recursos dentro da editora da UnB. O esquema incluia pagamentos por meio de contratos fantasmas a ele e a Israel Guerra, filho da ministra que atuava como lobista.

O irmão da ex-ministra era membro da direção da editora da UnB e coordenador-executivo dos programas que, segundo relatório da CGU, tiveram R$ 5,8 milhões desviados para 529 pessoas. Essas pessoas, segundo a controladoria, receberam sem a comprovação de que o serviço foi feito. De acordo com o relatório da auditoria, a folha de pagamentos suspeitos da editora traz pelo menos R$ 134 mil destinados a Euricélio e a Israel entre os anos de 2005 e 2008.

A serviço do Palácio do Planalto
Em relação às acusações do empresário Rubinei Quícoli de que integrantes do Palácio do Planalto tentaram intermediar o pedido de financiamento entre a empresa que ele representava e o BNDES para um projeto de usina solar, a CGU não viu irregularidade.

Segundo a controladoria, também não houve nada de ilegal na compra do remédio Tamiflu no ano passado, como foi denunciado pela revista "Veja", assim como em relação à denúncia de arquivamento de multas aplicadas à empresa Matra Mineração, do marido de Erenice. A contratação com dispensa de licitação do escritório de advocacia Trajano e Silva Advogados pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), denunciada pelo "Estado de S. Paulo", também foi considerada legal.

Carlos Sampaio lembra que em 2008, após denúncias do uso indevido dos cartões corporativos por membros do alto escalão do governo, Erenice Guerra e sua equipe montaram um dossiê com informações sigilosas de gastos da ex-primeira dama Ruth Cardoso e do ex-presidente Fernando Henrique.

A divulgação do que o governo chamou de "banco de dados" tinha o objetivo de tirar foco das investigações contra ministros do governo que ocorriam em uma CPI no Congresso. Na época, lembra o tucano, a controladoria quis desqualificar a CPI dos Cartões Corporativos. “Desde o escândalo dos cartões, a CGU demonstrou que está a serviço do Planalto e, portanto, jamais vai trazer à luz episódios que comprometam integrantes do atual governo federal”, afirmou. (Reportagem: Djan Moreno/ Foto: Eduardo Lacerda)

Exemplo para o país

Lei antifumo de São Paulo é um avanço para a sociedade, afirma Tripoli

O deputado Ricardo Tripoli (SP) comemorou nesta sexta-feira (1º) o sucesso da Lei Antifumo de São Paulo, comprovado por pesquisa do Ibope. Encomendado pela Secretaria de Estado da Saúde, o levantamento mostrou ampla aprovação e satisfação da população com a legislação que proíbe o uso do tabaco em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais.

A pesquisa mostrou que 49% dos fumantes de São Paulo reduziram o consumo do tabaco depois da lei, que entrou em vigor em agosto de 2009. Além disso, apontou alto índice de satisfação com a norma - 92% dos fumantes a aprovam, ante 97% dos que não fumam. “Verificar uma redução de cerca de 50% do hábito de fumar é maravilhoso”, afirmou o tucano. Para o deputado, a queda do consumo traz benefícios como a ampliação da expectativa de vida.

Esse foi o primeiro estudo que mediu o impacto da lei em São Paulo. Foram ouvidas 800 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 22 e 27 de julho deste ano, pouco antes da lei completar um ano de vigência. A nova legislação estabeleceu ambientes 100% livres do fumo, proibindo até mesmo os fumódromos em ambientes de trabalho e as áreas reservadas para fumantes em restaurantes.


Na avaliação de Tripoli, o Governo de São Paulo, conduzido pelo PSDB há 16 anos, deu um ótimo exemplo com a aplicação dessa lei que beneficia a população e desestimula o uso do tabaco. “É um acerto não só para São Paulo, mas para o Brasil", enfatizou.


São vários os motivos de satisfação com a aplicação das novas regras. Entre os não fumantes, 33% deles dizem que respirar fumaça incomoda muito, 32% se sentem menos incomodados com a fumaça de cigarros alheios e 27% apontam que a qualidade do ar nos locais públicos melhorou.

A maior beneficiada, segundo os entrevistados, foi a saúde: 26% acreditam que a medida protege mais o organismo. Os tabagistas também aprovaram a diminuição do fumo passivo (23%), o menor consumo de tabaco (17%) e a melhora no ar dos bares e restaurantes (16%).

Tripoli ressaltou que a aprovação da lei representa um “grande avanço para a sociedade” e confere mais respeito ao fumante passivo, aquele que não compra cigarros, mas acaba por inspirar a fumaça de quem está perto.

O parlamentar defendeu ainda a extensão dessa lei para todos os estados. Segundo ele, isso seria um grande progresso para a saúde pública do país. “O fato de proibir o uso do cigarro em todas as escalas e em todas as regiões brasileiras seria um grande avanço. É uma experiência muito bem sucedida em São Paulo e que deveria ser aplicada em todo o Brasil”, recomendou.

Principais dados da pesquisa do Ibope


Índice de aprovação da lei:
Fumantes: 92%
Ex-fumantes: 96%

Não fumantes: 97%


Nota atribuída à lei:
Fumantes: 9,2

Ex-fumantes: 9,5

Não fumantes: 9,5


Frequência do uso do cigarro depois da lei:
Fuma menos : 49%

Fuma mais: 3%

Na mesma proporção: 47%


Foram ouvidas
800 pessoas com mais de 16 anos entre os dias 22 e 27 de julho.

(Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Eduardo Lacerda)


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No apagar das luzes

Governo federal demorou muito para executar plano de banda larga, diz Semeghini

Um dos maiores especialistas da Câmara em ciência e tecnologia, o deputado Julio Semeghini (SP) criticou nesta sexta-feira (1º) a demora do governo federal para executar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Na avaliação do tucano, a lentidão mostra a falta de seriedade da gestão do PT com a população. Ontem a Telebrás confirmou para dezembro o início da conexão das primeiras 100 cidades do projeto. Com isso, o governo terá apenas um mês para executar essa primeira etapa do plano, apesar de Lula estar à frente do Palácio do Planalto desde janeiro de 2003.

Ou seja, foram oito anos para adotar uma ampla iniciativa de inclusão digital, mas a previsão é de que o programa só saia do papel no apagar das luzes. A promessa do PNBL é levar internet em "alta velocidade" e com preços baixos a 40 milhões de casas até 2014.

Além da demora, o tucano avalia que mais uma vez a gestão do PT transforma um projeto importante em assunto eleitoreiro. “O governo não fez nada para facilitar o acesso à banda larga e agora, na véspera da eleição, anuncia o plano. Isso tem objetivo eleitoreiro”, condenou Semeghini. De acordo com ele, a atual administração age de forma irresponsável na condução de algo tão importante para o país. “Isso já deveria ter sido feito muito antes. Só estão anunciando agora por causa das eleições”, frisou.

Em relação à polêmica reativação da Telebrás, o deputado disse que o governo está gastando muito e, mesmo assim, não conseguirá atender todo o país com a atual formatação do plano. “Não definiram um modelo que cubra todo o Brasil. E começam novamente escolhendo algumas cidades sem critério e prioridade”, ressaltou. Na experiência-piloto a ser adotada em dezembro, serão atendidas localidades do Nordeste e do Sudeste.

Segundo a estatal, os equipamentos e serviços necessários para dar início ao plano serão contratados até novembro e o edital de infraestrutura sai até a próxima semana. Ontem foram divulgadas as especificações técnicas dos equipamentos, dos softwares e dos serviços que formarão a rede do governo.

R$ 13 bilhões
É o valor previsto no Plano Nacional de Banda Larga até 2014. A Telebrás pediu ao Ministério das Comunicações R$ 1,4 bilhão para sua capitalização e para a execução do PNBL até 2011. A estatal reativará as fibras ópticas da Eletrobras e da Petrobras para vender banda larga no atacado para provedores e operadoras.

512 kbps
Será a velocidade oferecida ao consumidor a um preço médio de R$ 35, segundo estimativa do governo. Em muitos países essa capacidade é considerada ultrapassada.

(Reportagem: Letícia Bogéa/ Foto: Eduardo Lacerda)

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