6 de ago de 2010

Entrevista

Para Silvio Torres, falta comando na organização da Copa de 2014

O presidente da subcomissão criada pela Câmara para acompanhamento, fiscalização e controle dos recursos públicos federais destinados à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016, deputado Silvio Torres (SP), está preocupado com os preparativos do país para sediar o torneio de futebol.

Nesta entrevista exclusiva ao "Diário Tucano / Rádio Tucana", o parlamentar manifesta seu temor de que se repita o mesmo problema ocorrido nos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007. Para ele, pode haver um verdadeiro derramamento de dinheiro público de última hora para evitar o fracasso da Copa. A gastança ocorreu no Pan, que saiu bem mais caro em relação ao orçamento inicial.

Silvio Torres critica a falta de comando do governo Lula para organizar o evento e manifesta o receio de que sejam utilizados recursos públicos na construção das arenas esportivas que, em alguns casos, não vão servir para nada depois do mundial. Veja abaixo os principais trechos:


O fantasma do Pan de 2007: “É preciso evitar que na realização de um evento do porte da Copa se repitam os erros do Pan, que teve um gasto de dinheiro público absurdo. Um orçamento de R$ 400 milhões se multiplicou por 10, passando para R$ 4 bilhões”, alerta o deputado.

Atraso e ausência de planejamento: Para ele, essa realidade pode se repetir por causa da desorganização e do atraso de quase três anos nas obras. O tucano ressalta que a falta de planejamento vista no Pan vem se repetindo agora. “As ações previstas no caderno de encargos que o governo assumiu estão atrasadas em todos os setores”, avisa o tucano, um dos principais especialistas em temas esportivos na Câmara.

A falta de comando: Torres afirma que a realização das obras necessárias para o campeonato de futebol não saem do papel por falta de competência e de gestão do governo Lula. “Não tem comando. Quem manda? Quem coordena? É preciso alguém liderando”, criticou.

O risco dos "elefantes brancos": O deputado acredita que poderão ser gastos bilhões de reais de recursos públicos na construção de estádios que depois terão pouca utilidade. “Eles se tornarão elefantes brancos muito rapidamente. Logo depois da Copa, já não servirão para nada mais. Talvez para visitação”, pontuou.

Apoio ao Governo de SP: Quanto à possibilidade de São Paulo ficar de fora da Copa, o deputado afirma que o governo estadual está correto ao não destinar recursos públicos para a construção de um novo estádio. “Está certo o Governo de São Paulo ao dizer que não vai colocar dinheiro público, mesmo que não faça o jogo de abertura. Devemos apoiar esse tipo de atitude, que é responsável”, acentuou.

Fifa e a busca do lucro: Para Silvio Torres, a entidade organizadora do evento, a Fifa, tem apenas uma preocupação – ganhar dinheiro com a realização do mundial. Por isso, ele acredita que a entidade pode acabar confirmando a cidade de São Paulo como uma das sedes da Copa, mesmo sem um novo estádio. Se a capital não receber jogos, certamente os lucros serão menores, segundo o tucano. “Na África, a Fifa anunciou o maior lucro já obtido até então com a Copa do Mundo e disse que no Brasil quer bater esse recorde”, destacou.

CBF deveria cobrar mais: O tucano avalia que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deveria ser mais incisiva para cobrar do governo providências para que as obras não atrasassem tanto. Os empreendimentos vão muito além de estádios: abrangem iniciativas de alto custo, como a ampliação de aeroportos e ações de mobilidade urbana e de expansão do transporte público, a exemplo dos metrôs.

Site fiscaliza gastos: O deputado do PSDB ressalta que o Congresso Nacional está fazendo a sua parte, que é obrigar o governo a informar todos os gastos públicos por meio de uma página na internet. Essa fiscalização feita por parlamentares tem, inclusive, a adesão dos tribunais de contas da União, estados e municípios. Sílvio Torres lembra que qualquer cidadão pode acompanhar pela internet o que vem sendo aplicado para a realização do torneio. Para isso, basta acessar o endereço www.fiscalizacopa2014.gov.br. (Reportagem: Artur Filho/ Foto: Eduardo Lacerda)

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4 anos da Lei Maria da Penha

Justiça deve agir mais rápido em casos de violência contra a mulher, diz Marisa Serrano

"Qual homem nunca perdeu a paciência e saiu na mão com sua mulher?" A frase dita pelo goleiro Bruno, um dos acusados pelo brutal assassinato da modelo Eliza Samudio, mostra como a sociedade brasileira ainda é machista, apesar da existência da Lei Maria da Penha, que completa quatro anos neste sábado (7).

O caso de Eliza, segundo o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), também é a prova de que a nova legislação não tem sido cumprida como deveria. A jovem denunciou a violência e as ameaças, mas teve o pedido de medidas de proteção negado por uma juíza. A magistrada entendeu que a lei não se aplicava a esse tipo de relação afetiva. Mas para o CFEMEA, a decisão contrariou o texto legal.

Para a senadora Marisa Serrano (MS), a lei avançou, mas casos como este demostram que ainda há muito a ser feito para que a legislação seja respeitada. “A lei é uma realidade no país. Mesmo assim, precisamos fazer com que na prática ela tenha mais efeito”, ressaltou a tucana nesta sexta-feira (6).

A parlamentar também lamentou a ocorrência de tantos casos de violência, principalmente dentro de casa. De acordo com o governo federal, mais da metade das vítimas declarou estar convivendo com o agressor (72,1%). Em metade dos casos a vítima afirma correr risco de morte e 57% sofrem violência diariamente.

“O que falta é a Justiça ser mais rápida, porque muitas mulheres denunciam e depois não há a tomada de providências sobre o caso. Com isso, elas acabam sendo agredidas novamente ou até mortas, mesmo tendo denunciado. O Judiciário precisa ser mais veloz para dar segurança às mulheres”, reforçou.

Entre os desafios para combater esse problema, Marisa defendeu a realização de campanhas nacionais sobre o tema. “A partir do momento que se faz campanha e que se introduz uma cultura para toda a comunidade, a pessoa passa a respeitar mais e também a denunciar os maus tratos”, apontou. A boa notícia é que as mulheres estão mais cientes dos seus direitos depois da criação da nova lei, como mostram as estatísticas abaixo.

Denúncias dobraram

→ Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, os atendimentos feitos pelo Ligue 180, a Central de Atendimento à mulher do governo federal, mais que dobraram no primeiro semestre em relação a igual período de 2009, chegando a 343.063.

→ A central recebe denúncias de violência contra a mulher, dá informações sobre a Lei Maria da Penha e indica a rede de atendimento mais próxima. Em casos graves, aciona a polícia e o Ministério Público. A utilização do serviço vem sendo ampliada desde sua criação, em 2005. Em 2006, foram 41 mil atendimentos.

→ A lei foi sancionada em agosto de 2006 e batizada em homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes. Ela ficou paraplégica depois de levar um tiro do próprio marido e conseguiu que ele fosse condenado. O agressor tentou encobrir o crime. O ex-marido da biofarmacêutica alegou que sua esposa havia sido baleada durante um assalto.


(Reportagem: Letícia Bogéa/ Foto: Ag. Senado)

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Divulgação abandonada

Leonardo Vilela cobra do governo ações de incentivo ao uso dos genéricos

Médico e vice-líder do PSDB na Câmara, o deputado Leonardo Vilela (GO) comemorou nesta sexta-feira (6) o crescimento das vendas dos medicamentos genéricos no Brasil. No entanto, os resultados poderiam ser ainda maiores se o governo Lula não tivesse abandonado as campanhas de incentivo ao uso desse tipo de medicamento, que tem a mesma eficácia dos remédios de marca.

No primeiro semestre deste ano, o setor registrou expansão de 34,1% no volume de vendas na comparação com o mesmo período de 2009. As recomendações médicas, a propaganda boca a boca e a conjuntura econômica são alguns dos fatores que ajudaram esse crescimento, já que a divulgação oficial de ações favoráveis ao seu uso praticamente desapareceram ao longo da gestão petista.

Introduzidos no Brasil em 2001 durante o governo Fernando Henrique Cardoso, os genéricos possibilitaram uma economia significativa para as famílias brasileiras, especialmente as mais humildes. Desde então, nas farmácias de todo o país os cidadãos puderam ter acesso a medicamentos que antes eles não conseguiam comprar, inclusive os de tratamento contínuo, ou seja, contra doenças como a hipertensão. Graças à eficácia no tratamento, o sucesso desses medicamentos é mundial, mas aqui a consolidação poderia ter sido ainda mais forte.

“Os genéricos foram uma vitória da sociedade brasileira. Hoje a população paga bem menos pelos medicamentos e esse avanço poderia ter sido muito mais estimulado durante o atual governo. Se por um lado temos a boa notícia do aumento nas vendas desses remédios nos últimos meses, por outro sabemos do baixo consumo por um longo período por falta de ações federais”, afirma Vilela.
De acordo com o tucano, a expansão na compra dos genéricos nos últimos meses reflete o quanto esses remédios são importantes para a população, principalmente para as famílias de baixa renda.

Números

R$ 15 bilhões
Foi quanto os brasileiros economizaram com a compra de remédios desde 2001, quando os genéricos entraram no mercado. Essa economia fez a diferença nos orçamentos de milhares de famílias.

50%
É a diferença, na média, entre os preços dos medicamentos de referência e os genéricos, segundo a Pró-genéricos, associação dos fabricantes do setor. A entidade é a responsável pela pesquisa que aponta o reaquecimento das vendas neste ano.

R$ 115
É a disparidade de preço entre uma caixa de 28 comprimidos de 20mg do Prozac (antidepressivo), que pode custar R$ 150. O Fluoxetina, genérico do medicamento, pode ser encontrado até por R$ 35. A pesquisa foi feita pelo jornal "Correio Braziliense", que mostrou diferenças significativas também em outros casos.

Mais dinheiro no orçamento
"Os genéricos proporcionam uma economia significativa no orçamento familiar. Com eles, é possível comprometer uma parcela menor do salário na compra de remédios, permitindo ao cidadão gastar mais com educação, vestuário, lazer e outras necessidades.”
Dep. Leonardo Vilela (GO)

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