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30 de set. de 2010

Má gestão

Governo federal não consegue preparar o país para sediar a Copa de 2014, alerta Fernando Chucre

O deputado Fernando Chucre (SP) atribuiu o atraso das obras em infraestrutura para a Copa de 2014 à má gestão do governo federal. A crítica do parlamentar foi feita em entrevista ao programa “Jogo Rápido”, da “Rádio Câmara”. O tucano também afirmou que o país corre o risco de chegar às vésperas do evento sem estar preparado para receber os turistas, principalmente em relação ao setor aéreo, e passar uma péssima imagem do Brasil para os estrangeiros.


Durante o programa, o deputado enfatizou que a aviação civil já sofre com o crescimento da procura e levantou a possibilidade de que aconteça mais um caos aéreo antes mesmo do início do evento esportivo. “Todas as declarações e audiências públicas realizadas na Câmara nos mostram que estamos preparados única e exclusivamente para ter outro apagão aéreo antes da Copa do Mundo”, avisou.

A falta de preparação do governo foi comprovada em audiência pública com a participação da própria presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Solange Vieira. No debate, a dirigente da Anac confirmou que os aeroportos das principais capitais já estão com demanda superior à capacidade de passageiros.

O parlamentar lembrou ainda que toda a propaganda feita pelo governo federal para atrair o maior número de turistas para o país irá se chocar com uma estrutura mal planejada. Segundo o deputado, além de se preocupar com o evento, o governo também deve dar atenção à crescente demanda interna do país por transporte aéreo.


Com os prazos para o término de obras estipulados pela Fifa estourados, Chucre disse que toda a conta de empreendimentos não realizados e mal executados será deixada para o próximo presidente como uma herança. “O pior é que as obras nesses aeroportos não serão realizadas nos próximos quatro anos. Será muito difícil ter esses locais prontos até a Copa do Mundo, período em que haverá acréscimo considerável de passageiros”, ressaltou.


(Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Eduardo Lacerda)

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21 de set. de 2010

Elefantes brancos

Quatro estádios podem dar prejuízo aos cofres públicos depois da Copa, alerta Silvio Torres

O deputado Silvio Torres (SP) alertou para o risco de o governo federal investir grandes quantias em estádios brasileiros que depois da realização da Copa em 2014 terão pouca utilidade e trarão mais despesas aos cofres públicos. O aviso foi feito em debate sobre o evento esportivo promovido pelo portal Terra. Segundo o parlamentar, essas arenas se tornarão “elefantes brancos”.

Segundo Silvio Torres, o Tribunal de Contas da União (TCU) já identificou os quatro estádios que darão prejuízo aos governos após a realização do evento esportivo. São eles: os estádios de Brasília (DF), Cuiabá (MT), Manaus (AM) e Natal (RN). “Esses estádios somam quase R$ 2 bilhões de reais em dinheiro público e tendem a se transformar em espaços ociosos e caros, pois para se manter uma estrutura desse porte é necessário mais recursos do governo”, ressaltou o deputado, presidente da subcomissão da Câmara que fiscaliza os gastos na organização do torneio.

Na avaliação do deputado, o país precisa aprender as lições deixadas nos dois últimos mundiais sediados por Alemanha, em 2006, e África do Sul, em 2010. Nesses dois países, disse Silvio Torres, a Copa deixou nas mãos dos governos custos altos de manutenção desses locais após o evento.

O tucano citou que mesmo na Alemanha, onde o ingresso mais barato custa cerca de R$ 158, o governo tem dificuldades para manter parte dos estádios. “O Brasil tinha que aprender lições, mas não está fazendo isso. Serão R$ 720 milhões só na reconstrução do Mané Garrincha, em Brasília, algo que não será viável. Quem pagará essa conta?", questionou.

O parlamentar também lembrou do exemplo da África do Sul, que tem o maior estádio (Soccer City) localizado no bairro mais pobre de Johanesburgo e o ingresso custa o equivalente a R$ 5. Segundo ele, o valor não é suficiente para sustentar uma praça esportiva que custou mais de R$ 1 bilhão e que, no momento, depende de investimento público para se manter.

Ainda durante o debate, Silvio Torres explicou o motivo da criação da subcomissão na Câmara. Segundo o tucano, o principal objetivo do colegiado é evitar que os fatos ocorridos nos jogos Panamericanos em 2007 se repitam. Na ocasião, os gastos públicos passaram de R$ 400 milhões para R$ 4 bilhões. De acordo com deputado, o evento deixou um legado “decepcionante” para a sociedade brasileira. (Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Eduardo Lacerda)

Para assistir ao debate, clique aqui.

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26 de ago. de 2010

Gestão negligente

Infraestrutura é maior adversária do Brasil na Copa de 2014, afirma Alvaro Dias

Para o senador Alvaro Dias (PR), a infraestrutura é a maior adversária do Brasil nos preparativos para a Copa de 2014. Em pronunciamento no plenário do Senado, na última terça-feira (24), o parlamentar avaliou as principais dificuldades que o país irá enfrentar no setor e classificou de "negligente" a gestão do governo diante do desafio de sediar o campeonato mundial de futebol.

De acordo com o parlamentar, o governo precisa tomar precauções para que a atual situação não fique mais grave do que já está. “Os desafios do Brasil para realizar a Copa do Mundo de 2014 devem ser enfrentados a partir de dados da realidade. Não é mais possível discutir se o evento é bom para o país ou não. O governo brasileiro assumiu a responsabilidade e o Brasil tem que dar conta dessa tarefa”, enfatizou.

O senador revelou que o Tribunal de Contas da União (TCU) já fez um alerta sobre o "impressionante atraso" das obras. O temor do órgão, disse Dias, é acontecer uma repetição da experiência ruim dos jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro em 2007. O orçamento do evento passou de R$ 520 milhões, para R$ 4 bilhões ao final das obras, forçando o governo federal a assumir gastos a título de socorro emergencial.


Leia abaixo a análise feita pelo senador tucano em cada área da economia que precisa de ajustes urgentes para atender a Copa de 2014:

Caos em todos os setores
→ Hotelaria: De acordo com a FIFA, apenas o estado de São Paulo atende a exigência necessária de ter 32 mil quartos por cidade-sede e arredores. Nas demais eventuais sedes não há hotéis suficientes, além de faltar mão de obra capacitada para vagas a serem criadas no setor.

→ Aeroportos:
Apesar de estudos de órgãos do próprio governo apontarem que o setor aéreo brasileiro poderá entrar em colapso se não houver investimentos urgentes em aeroportos, as obras ainda caminham a passos lentos.
Os 10 principais aeroportos do país já operam acima da capacidade máxima, de acordo com estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Dos 20 principais terminais, 19 apresentam algum tipo de reparo por fazer em pistas, pátios ou estações de passageiros. Para o parlamentar, o problema não é falta de recursos, mas de capacidade do governo para investir: até junho, a Infraero gastou apenas 11% da dotação de investimentos autorizados para 2010. De R$ 1,5 bilhão previsto para o ano, só R$ 178 milhões foram gastos.

→ Estádios:
Nenhum estádio brasileiro atende a exigência da Fifa de contar com tribunas de imprensa, assentos numerados, vestiários para atletas, árbitros e gandulas e área próxima para a concentração de torcedores.
As arenas esportivas também não estão localizadas próximas de estacionamentos e hospitais, como pede a organizadora do evento.
→ Comunicação: Dias afirmou que não há nenhuma ação para melhorar a limitação presente na tecnologia 3G, que pode levar a rede à pane em locais onde multidões fazem ligações ou enviam fotos e vídeos via celular simultaneamente.

→ Rodovias e Portos:
De acordo com o senador, estradas que ligam cidades-sede estão em más condições e algumas delas não têm nem previsão de reparo. O Brasil ocupa o 127º lugar, entre 133 países, num ranking de qualidade de infraestrutura portuária. Fica atrás de países como Paraguai, Bangladesh e Nigéria, de acordo com pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial.

Segundo o estudo "Portos Brasileiros: Diagnóstico, Políticas e Perspectivas", do Ipea, o país tem cinco anos para evitar um apagão logístico caso o setor cresça entre 4% e 5% por ano. (Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Agência Senado)
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5 de ago. de 2010

Sob o fantasma do apagão

Setor aéreo no Brasil ainda é uma "montanha russa", alerta Fruet

O caos vivenciado pelos passageiros nos principais aeroportos do país está muito distante de ser resolvido por falta de investimentos do governo federal. Essa é a avaliação do líder da Minoria da Câmara, deputado Gustavo Fruet (PR), com base nos dados da execução financeira da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Segundo o site Contas Abertas, apenas 11% dos recursos autorizados no orçamento de 2010 para a estatal foram liberados pelo Ministério do Planejamento. Do R$ 1,6 bilhão previsto até o final do ano, apenas R$ 178 milhões foram aplicados no primeiro semestre.

“O setor parece um fantasma que, de tempos em tempos, ressurge não só para assombrar, mas para lembrar que questões estruturais ainda não foram resolvidas. E nós vamos viver como se fosse uma montanha russa e novas crises surgirão”, prevê o tucano.

A ONG também informa que 15 das 47 ações previstas pela estatal em 2010 nos aeroportos ainda não receberam nada. Para o líder da Minoria, as execuções das obras nos aeroportos ficaram só nas promessas do governo Lula.

Segundo Gustavo Fruet, esses dados revelam que o governo continua retendo dinheiro, apesar de cobrar taxas altas dos passageiros e das empresas aéreas. Para ele, a estatal não consegue aplicar essa arrecadação em melhorias e em obras urgentes nos aeroportos.

O deputado também lembra que já cobrou do governo federal a relação dos responsáveis pelas execuções das obras dos aeroportos das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, mas o pedido foi ignorado até agora. Nas ações de revitalização e modernização do Aeroporto Internacional do Galeão (RJ), terminal que atenderá uma das principais sedes do evento esportivo, dos R$ 299 milhões previstos para 2010, a Infraero investiu apenas R$ 10,4 milhões entre janeiro e junho.

Perto do colapso
→ Estudo divulgado em maio pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o setor aéreo brasileiro poderá entrar em colapso se não houver investimentos urgentes.

→ As obras de adequação e ampliação das pistas e pátios do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), com orçamento de R$ 128,9 milhões até dezembro, receberam pouco mais de R$ 6 milhões nos primeiros seis meses deste ano. (Reportagem: Artur Filho/ Foto: Eduardo Lacerda)

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