22 de jun. de 2010

Autocensura

Crítica à própria política agrária era uma das raras atitudes lúcidas do governo, diz Vilela

Integrante da Comissão de Agricultura da Câmara, o deputado Leonardo Vilela (GO) lamentou nesta terça-feira (22) a retirada do ar de documento publicado no portal do Ministério do Planejamento com críticas à política agrária do governo Lula. O descumprimento de metas era um dos pontos do texto, excluído do site oficial na última sexta-feira (18). “Uma das raras atitudes lúcidas deste governo foi exatamente fazer essa análise crítica de suas ações”, afirmou Vilela.

Apesar de o Ministério do Planejamento ter divulgado nota na qual ressaltou que as críticas não diziam respeito apenas ao governo Lula, o documento concentrava falhas no período mais recente. Denunciou, por exemplo, que não se construiu um programa para suceder o Plano Nacional de Reforma Agrária, de 2006, nem foram traçadas metas para a reforma agrária para o período do Plano Plurianual de Investimentos 2008-2010.

Para o deputado, a reforma conduzida na gestão petista não melhorou a estrutura agrária do país. “A atuação do governo deixou muito a desejar. Não conseguiu emancipar praticamente nenhum assentamento”, enfatizou o parlamentar. De acordo com Vilela, houve uma espécie de censura interna às críticas, "que na verdade mostram falta de competência, de gestão e de aptidão administrativa".

Segundo o tucano, o próprio governo reconheceu sua ineficácia na tentativa de proporcionar uma melhoria na vida das pessoas que dependem da reforma agrária. “Hoje os assentados dependem muito mais dos programas sociais do que de sua própria produção. Ao final de oito anos de governo, os resultados no setor são pífios”, protestou.


Veja abaixo trechos das críticas retiradas do ar

"Pode-se afirmar que, até o momento, não se conseguiu realizar a reforma agrária, de fato."

.. "Apesar de todos os esforços de programas como o Pronera e as ações do programa de Desenvolvimento Sustentável de Projetos de Assentamento, percebe-se que a qualidade dos assentamentos é muito baixa. Apesar de passarem a ter acesso a terra e a alguns serviços, a qualidade de vida dessas populações permanece a mesma de antes de terem sido assentadas"...

(Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Eduardo Lacerda)

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