16 de jul. de 2010

Conivência condenável

Postura de Lula em relação a presos cubanos afronta os direitos humanos, avaliam tucanos

Assim como fizeram presos políticos cubanos recém-libertados pelo regime dos irmãos Castro, parlamentares do PSDB criticaram a conivência do presidente Lula diante do desrespeito aos direitos humanos na ilha caribenha.

Refugiados na Espanha, os ex-detentos condenaram as declarações do petista feitas durante visita oficial a Cuba, ocorrida em fevereiro, quando o também preso político Orlando Zapata morreu após 85 dias de greve de fome. Na ocasião, Lula se recusou a comentar as denúncias sobre esse desrespeito. Segundo eles, o presidente brasileiro não intercedeu para evitar a morte de Zapata e se aliou “ao crime, e não à Justiça”.

Presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o deputado Emanuel Fernandes (SP) considerou as declarações de Lula uma afronta aos direitos humanos. “Os dissidentes estão mostrando o quanto foi duro protestar por serem presos de consciência, colocando em risco a própria vida, e verem uma declaração infeliz de um presidente do qual se esperava que pelos menos procurasse evitar a morte de Zapata ”, criticou nesta sexta-feira (16). De acordo com ele, as afirmações de Lula não têm respaldo na sociedade brasileira.

O senador Alvaro Dias (PR) também protestou. “Vai se tornando rotina na vida de todos nós, brasileiros, assistir ao espetáculo no qual Lula passa a mão na cabeça de todos os ditadores do mundo, afronta os direitos humanos e as liberdades democráticas, convive com os totalitários, avalizando as suas perversas atitudes que vão desde prender adversários políticos a levá-los à morte”, condenou em plenário.

Na visita à ilha, Lula também comparou Zapata a presos comuns brasileiros, o que também foi criticado pelos tucanos. “Ele equiparou presos de consciência com detentos comuns. Isso fere prontamente os direitos humanos”, reprovou Emanuel. O deputado espera que o petista não cometa outra “bobagem” como essa.

Omissão
Quando houve a tragédia de Orlando Zapata, Lula estava apertando a mão de Fidel e Raúl e não advogou nem levantou a voz para salvar a vida dele. Agora diz estar feliz com a nossa liberação, mas estaríamos felizes se ele tivesse advogado por Zapata”.
Dissidente Omar Rodríguez Saludes

Dissidentes viviam em condições "mais do que terríveis"

→ Durante coletiva de imprensa ontem, seis do 11 dissidentes libertados narraram as condições precárias que enfrentaram nos últimos anos. Segundo eles, as condições de saúde e higiene eram “mais do que terríveis”.

→ Ao todo, 52 dissidentes do regime cubano serão libertados. Desses, 20 aceitaram ir para a Espanha. Outros países também se ofereceram para acolhê-los.


(Reportagem: Alessandra Galvão/Fotos: Eduardo Lacerda)

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