23 de jul. de 2009

Decoro

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), protocolou na manhã desta quinta-feira (23) no Conselho de Ética da Casa denúncia contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A denúncia – a quarta feita pelo parlamentar (foto) – se baseou nos diálogos gravados pela Polícia Federal durante Operação Boi Barrica e divulgados pelo jornal O Estado de São Paulo, onde Sarney e seu filho Fernando tratam de uma vaga em um gabinete no Senado para o namorado de sua neta.

O então diretor-geral do Senado Agaciel Maia, suspeito de inúmeras irregularidades à frente da direção da Casa, é citado no diálogo. O rapaz beneficiado, que continua lotado na Casa, foi contratado por meio de um ato administrativo secreto, menos de uma semana depois da negociação.


As outras três denúncias apresentadas pelo líder do PSDB contra Sarney referem-se aos chamados atos secretos – atos administrativos mantidos em sigilo nos últimos 14 anos e na acusação de que a Fundação Sarney, da família do presidente do Senado, desviou verbas de patrocínio cultural da Petrobras para benefício próprio. Para Virgílio, Sarney - que também é presidente da Fundação - feriu decoro parlamentar.

Penalidades – Se o Conselho de Ética acatar a denúncia, José Sarney corre o risco de receber as seguintes penas: advertência, censura, suspensão ou perda de mandato. Se receber a pena mais forte, o senador fica inelegível por oito anos. No entanto, o presidente do Conselho de Ética tem a prerrogativa de rejeitar e arquivar as denúncias. Caso isso seja feito, o Conselho pode entrar com um recurso para que o caso seja avaliado pelos 15 membros titulares. Caso seja pedida a cassação do parlamentar no Conselho de Ética, o caso ainda terá de passar pelo plenário. (Reportagem: Regina Bandeira/Foto: Eduardo Lacerda)

Rombo na Previdência

O deputado Luiz Carlos Hauly (PR) comentou nesta quinta-feira (23) o déficit do INSS anunciado esta semana pelo Ministério da Previdência Social.

Nos seis primeiros meses de 2009, o valor subiu 10,7% em comparação com o primeiro semestre de 2008. O débito chegou a R$ 21, 5 bilhões este ano contra R$ 19,4 bilhões alcançados no ano passado. Em contra-partida, a arrecadação líquida do INSS, subiu 5,4% em comparação com 2008, chegando a R$ 82,9 bi.

“É estranho que mesmo com o crescimento da arrecadação líquida esse déficit do INSS tenha subido. O governo possui dinheiro em caixa e tem como cobrir esse rombo. A arrecadação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do tributo sobre a movimentação de mercadorias que é a Cofins são destinados a financiar a seguridade social”, destacou o deputado.

O problema é antigo: o que se arrecada com os trabalhadores da ativa já não é suficiente para pagar todas as pensões, benefícios e aposentadorias do INSS. E as despesas aumentam cada vez mais. Para esse ano, governo espera ter uma arrecadação líquida do INSS de R$ 182,2 bilhões. (Reportagem: Rafael Secunho/Foto:Eduardo Lacerda)

Acessibilidade

Líder da minoria defende que Congresso preste mais atenção às necessidades dos portadores de deficiências

Para Otávio Leite (RJ), a acessibilidade é hoje o principal problema enfrentado por eles no Brasil e o transporte público, em especial, precisa evoluir para atender aos cidadãos que possuem dificuldade de locomoção. “O transporte público precisa ser fabricado pensando nesse segmento da sociedade. E não somente passar por uma adaptação como tem sido feito. Hoje já vemos alguns táxis novos com adaptação para o deficiente, mas é muito pouco”, cobrou.

Equipamentos sem impostos - Segundo Leite (foto), 15% da população brasileira tem algum tipo de deficiência e 75% dessas pessoas são pobres. O deputado reforça que os orçamentos públicos precisam de mais verbas destinadas a políticas de inclusão de apoio às pessoas portadoras de necessidades especiais.
"Tenho trabalhado no Congresso para desonerar a fabricação desses equipamentos, órteses, próteses e similares que de alguma forma ajudam a locomoção”, disse. (Reportagem: Rafael Secunho/ Foto: Eduardo Lacerda)

22 de jul. de 2009

Crise no Senado


Líder tucano quer punição para improbidade administrativa de ex-diretor-geral Agaciel Maia

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou nesta quarta-feira (22) um requerimento pedindo abertura de processo administrativo disciplinar contra o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, suspeito de inúmeras irregularidades administrativas durante gestão à frente do Senado.
No ofício, enviado à 1ª Secretaria, o parlamentar (foto) aponta as interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal durante operação Boi Barrica e denunciadas pelo jornal “O Estado de São Paulo”, que revelam prática de crime de advocacia administrativa do funcionário. Ou seja, Maia teria patrocinado interesse privado perante a adminstração pública valendo-se da qualidade de funcionário.

PGR – O senador tucano também protocolou pedido de instauração de inquérito policial à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a materialidade e autoria de crime administrativo do ex-diretor, e também para apurar as denúncias de tráfico de influência de familiares do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Nas conversas gravadas pela Polícia Federal, o filho de José Sarney, Fernando, negocia uma vaga no Senado para o namorado da neta do peemedebista, posteriormente contratado por meio de ato secreto.

A assessoria do parlamentar adiantou que Virgílio está disposto a apresentar nesta quinta (23) nova denúncia contra o presidente do Senado no Conselho de Ética da Casa por conta das denúncias ligando Sarney à prática de nepotismo. Esta será a quarta representação do tucano contra Sarney. Outra denúncia que recai sobre José Sarney diz respeito a suposto crime de desvio de dinheiro de patrocínio da Petrobras para fundação que leva seu nome.

Agaciel Maia, autor das centenas de atos administrativos mantidos em sigilo nos últimos 14 anos, foi nomeado diretor-geral em 1995 pelo então presidente do Senado, José Sarney. (da Redação, com agências)

Cooperação espacial

Professora Raquel Teixeira recebe comitiva israelense para discutir tecnologia espacial

Vice-presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), a deputada Professora Raquel Teixeira (GO), recebeu nesta quarta-feira (22) um grupo de parlamentares israelenses para continuar os debates sobre acordo de cooperação na área de tecnologia espacial, iniciado no mês passado. A tucana esteve em Israel em junho e a meta, agora, é a organização de um seminário internacional sobre tecnologia espacial. O evento ocorrerá em outubro.



Consulados - “Há uma preocupação com o esfriamento nas discussões sobre a questão espacial. E nesse seminário vamos reunir acadêmicos, parlamentares e empresários para debatermos os avanços tecnológicos na área, especialmente no que diz respeito aos satélites”, destacou Raquel.

Ela e o presidente da Frente Parlamentar Brasil Israel, deputado Dr. Talmir (PV-SP), receberam na Câmara as deputadas Ruhama Avraham Ballila, presidente do Grupo Parlamentar Israel-Brasil e Fania Kirshenbaum, além do conselheiro da Embaixada de Israel Raphael Singer (com a parlamentar, na foto).


"É uma cooperação que pode ser extremamente produtiva na área científica e tecnológica. A ideia é, inclusive, usar satélites para a educação à distância”, disse a deputada. Junto com o ministro de Relações Exteriores, que também está no Brasil, os parlamentares anunciaram a reabertura do consulado israelense em São Paulo, fechado em 2002. Outro consulado também será criado do Rio de Janeiro.

Raquel Teixeira lembrou que se trata da primeira visita de um chanceler israelense em 22 anos, o que demonstra a intenção daquele país de fortalecer a cooperação com o Brasil.

(Reportagem: Rafael Secunho/Foto: Eduardo Lacerda).

Avaliação

Senadora tucana responsabiliza antecipação de campanha
pelas dificuldades dos trabalhos legislativos

A senadora Marisa Serrano (MS) responsabilizou o presidente Lula pela crise que abateu o Senado Federal. Para ela, o lançamento antecipado da campanha eleitoral de 2010 criou um clima de disputa política que influiu diretamente no ambiente do Senado e da Câmara, suscitando um debate que terminou colocando em conflito parlamentares da própria base aliada.


Segundo Marisa Serrano (foto), a crise no Senado teve início no momento em que o PMDB assumiu o comando do Congresso, quebrando uma tradição na qual o mesmo partido não preside as duas Casas Legislativas. “Esse fato gerou descontentamento no PT e, a partir daí, começaram a surgir denúncias e escândalos, revelando as mazelas do Congresso em níveis muito elevados”, comentou.

Faceta Chavista - Na avaliação da parlamentar, a alta popularidade de Lula gera “muita arrogância e, com isso, o Governo vem mostrando sua faceta chavista. E muitas decisões vem sendo tomadas sem a preocupação com o futuro”. E citou o aumento irracional dos gastos públicos, a concessão de benesses sem critérios, as críticas contra os órgãos fiscalizadores e o aumento generalizado da corrupção.

Pontos positivos – a senadora tucana elencou os avanços conquistados, como a nova lei de adoções, a aprovação das ZPEs de Corumbá e Ponta Porã, as medidas anticíclicas para evitar o agravamento da crise econômica, o debate sobre as leis ambientais, além de aprovação de projetos de resolução, decreto legislativo, projetos de lei do Congresso Nacional e legislação ordinária. (Foto: Eduardo Lacerda) Leia matéria na íntegra: https://www2.psdb.org.br/home/index.php

21 de jul. de 2009

Jovens em risco

Políticas sociais para reduzir preconceito racial e
violência contra jovens negros

Adolescentes do sexo masculino e negros são alvo privilegiado da violência no Brasil. A afirmação não é nova – várias pesquisas ligando gênero e violência já detectaram esta relação, no Brasil e no mundo. Nesta terça-feira (21) foi a vez da ONG Observatório de Favelas divulgar dados que reforçam a necessidade de políticas públicas que reduzam o nível de preconceito racial da sociedade brasileira.

De acordo com a entidade, em comparação aos jovens brancos, rapazes negros correm quase o triplo do risco de serem assassinados no Brasil (2,6). O estudo aponta ainda que os adolescentes do sexo masculino são ainda mais mais vulneráveis que as mulheres, na faixa etária entre 12 e 18 anos: o risco de serem assassinados é 12 vezes maior se comparado ao das meninas.

Para o deputado Eduardo Barbosa (MG), membro da Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, os números alertam para um mal difícil de ser dirimido: o preconceito racial.


“Logicamente que parte dessa questão reflete problemas sócio-econômicos, mas não tenho dúvida de que a questão racial está fortemente relacionada com a violência. A discriminação racial é algo real e extremamente forte na sociedade brasileira. Esses grupos sofrem e, infelizmente, isso não é falado ou sequer admitido”, afirmou o tucano (foto).


O parlamentar citou pesquisa divulgada há um mês que evidencia o elevado grau de preconceito nas escolas públicas brasileiras. Intitulada Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, o estudo revelou que 99% das pessoas que frequentam o ambiente escolar preferem manter distância de algum grupo social – os negros foram apontados por 90% dos entrevistados.

Os pesquisadores do Observatório de Favelas estimam que, apenas no Rio de Janeiro, 3.423 adolescentes sejam assassinados entre 2006 e 2012. As capitais devem concentrar 15.715 das mais de 33 mil mortes estimadas para o período nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes.
(Reportagem: Regina Bandeira / Foto: Eduardo Lacerda)


Reforço na aviação

Macris defende ampliação do capital estrangeiro no setor

Ex-integrante da CPI do Apagão Aéreo, o deputado Vanderlei Macris (SP) defendeu nesta terça-feira (21) maior participação do capital estrangeiro na aviação brasileira. O tucano acredita que a medida só trará melhorias nos serviço oferecidos aos usuários. Em sua última reunião, o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) já deu o sinal verde para a mudança: aprovou o aumento da participação de outros países na aviação nacional de 20% para 49% do total das ações das companhias com direito a voto.

Alternativas - “Ao longo dos debates na CPI do apagão aéreo, ficou muito claro que o Brasil está muito carente de uma concorrência mais ampla no setor aéreo. Atualmente, temos um duopólio de duas grandes empresas que comandam o setor aéreo no país e isso vai na direção contrária dos interesses dos usuários”, lembrou Macris, referindo-se às companhias TAM e Gol. Juntas elas têm uma participação de quase 90% no mercado doméstico da aviação no Brasil.

Com a aprovação pelo Conac, a proposta será enviada agora ao Congresso Nacional onde deverá tramitar como projeto de lei. Macris inclusive sugeriu durante audiência na Câmara em que o assunto foi debatido, que se considerem modelos praticados na Austrália, Nova Zelândia e Chile como base para o Brasil. Nesses países a participação do capital estrangeiro é de 49%, mas em alguns casos chega a até 100% para empresas que façam voos domésticos.

“A ideia é ampliar a concorrência interna e injetar mais recursos no setor em função do aumento de demanda. Como hoje duas empresas dominam o cenário da aviação, vemos passagens com tarifas altas e o serviço muito aquém do que pode ser oferecido. Precisamos viabilizar novas alternativas”, disse. (Reportagem: Rafael Secunho/ Foto: Eduardo Lacerda
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