22 de out. de 2010

Orçamento pífio

Descumprimento de promessa revela desprezo da gestão petista com a cultura

O deputado
Raimundo Gomes de Matos (CE) criticou nesta sexta-feira (22) o governo federal por não ter cumprido a promessa feita em 2003 pelo presidente Lula ao então ministro da Cultura, Gilberto Gil, de aumentar os investimentos no setor para 1% do Orçamento da União até o final de seu governo. Segundo o parlamentar, o Planalto não soube dar atenção necessária a essa área. “Infelizmente o governo não tem dado resposta a essa grande necessidade que o país tem de garantir investimentos maiores na cultura”, avaliou.

A
realidade dos números é bem diferente do falatório presidencial de início de gestão. A proposta enviada ao Congresso Nacional para 2011 prevê somente R$ 1,65 bilhão para o Ministério da Cultura, o equivalente a 0,16% do total. Este ano, o MinC recebeu R$ 2,23 bilhões de investimento dos R$ 947,8 bilhões previstos no orçamento, incluindo gastos com pessoal, custeio e investimentos. A pasta só teve mais recursos que os ministérios da Pesca, Esporte, Indústria e Comércio e Relações Exteriores. Os dados foram levantados pelo jornal "O Globo".

O tucano acredita que o orçamento previsto para 2011 deve aumentar, pois tradicionalmente o Congresso eleva a verba direcionada ao setor por meio de emendas de deputados e senadores. De acordo com o deputado, essa ação tem sido de grande importância para o progresso do setor. “O Congresso, na visão da maioria dos parlamentares, acredita que a cultura, além de ser um segmento que congrega e integra as famílias, diminui as vulnerabilidades sociais”, afirmou Gomes de Matos, integrante da Comissão de Educação e Cultura.

Em 2010, o Ministério do Planejamento propôs um orçamento de R$ 1,38 bilhão para o MinC, que foi turbinado com emendas parlamentares para R$ 2,23 bilhões. No ano anterior, a ação de deputados e senadores também foi importante para aumentar os recursos da pasta.


Gomes de Matos lembrou que as promessas não cumpridas do presidente da República não se restringem à área da Cultura, mas também atingem outros setores como a saúde e a infraestrutura. “Não é só a questão da área cultural. Temos que ser francos e dizer que o presidente Lula prega uma coisa, mas na realidade não a executa”, lamentou.


0,16%
É quanto os recursos do Ministério da Cultura representam no conjunto do Orçamento da União para 2011. Em 2003, o presidente Lula havia prometido elevar esse percentual a 1% até o final de seu governo. No entanto, os números mostram que a intenção ficou no papel.

Malabarismos contábeis que não colam


→ Ao ser questionado pela imprensa sobre os valores de investimento que tem recebido do governo federal, o Ministério da Cultura afirmou que os recursos vêm aumentando ano a ano e que a promessa de Lula está praticamente cumprida. Mas o cálculo apresentado pelo MinC não levou em conta todas as receitas que compõem o Orçamento da União. O ministério usou apenas a arrecadação com impostos (Imposto de Renda, IOF, IPI e Imposto de Importação), ignorando as receitas com contribuições sociais, para tentar demonstrar que atingiu o índice
prometido.

→ Ainda de acordo com o jornal "O Globo", nem com o cálculo fajuto a meta seria conquistada em 2011. Em tabela enviada pelo ministério, é colocado que o índice para o ano que vem atingiria 0,97%. Para alcançar a meta de 1%, a pasta dependeria ainda das emendas ao orçamento apresentadas pelos deputados e senadores.

(Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Eduardo Lacerda)

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Invenção petista

Para Marisa Serrano, agressão a Serra mancha a democracia brasileira

Vice-presidente nacional do PSDB, a senadora Marisa Serrano (MS) afirmou nesta sexta-feira (22) estar “indignada” após assistir ao programa do horário eleitoral gratuito da candidata Dilma Rousseff (PT) de ontem, no qual foram mostradas imagens da agressão de membros do PT ao candidato José Serra no Rio de Janeiro. A peça petista tentou distorcer a realidade, atribuindo à vítima a culpa por "um ato que degrada a democracia brasileira”.

Marisa se referiu à exibição de uma reportagem do SBT, reproduzida em parte no programa de Dilma, que tenta induzir o telespectador a acreditar que o candidato José Serra simulou uma farsa para mostrar que tinha sido atingido por um objeto na cabeça. Na verdade, conforme ficou demonstrado momentos antes no "Jornal Nacional", Serra foi mesmo atingido por dois objetos em dois momentos diferentes, descartando qualquer possibilidade de ter havido uma “farsa” ou montagem de cena, como quis fazer crer o PT.

Para a senadora, esse acontecimento deve ser levado para a Justiça para que haja punição dos responsáveis. “Qualquer cidadão que sonha em fazer de nosso país uma nação mais justa fica indignado quando o presidente, que deve ser o primeiro a defender o Estado de Direito, faz chacota com a agressão sofrida por Serra”, reprovou a tucana.

De acordo com Marisa, “Lula estimula a impunidade e incentiva atos criminosos de sua militância reforçando a ideia de que, em vez de ser o principal mandatário do país, ele prefere agir como chefe de uma facção fascista”. Segundo ela, o comportamento do PSDB neste momento deve ser de serenidade, visto que a legenda defende a paz e a democracia.

A parlamentar lembrou que o PT é reincidente no embate agressivo, pois a legenda “não gosta de discutir ideias nem propostas, preferindo resolver as diferenças com agressão e estupidez”. Segundo a senadora sul-mato-grossense, os últimos acontecimentos “mancham a história do Brasil, que sempre teve um povo tolerante e respeitoso com a diversidade, mas que está agora sofrendo um desvio por causa da atuação aloprada do PT”. (Da redação com assessoria/ Foto: Ag. Senado)

PT dissemina a cultura da agressão
“O Brasil está escandalizado com este fato. O PT dissemina a cultura da agressão e da violência com o endosso do presidente Lula.”
Senadora Marisa Serrano (MS)


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Nota do PSDB

"O Brasil assiste atônito à mais grave evidência de uso político e partidário das instituições do Estado, agravada pela manipulação de documentos oficiais sob responsabilidade direta do Poder Público.

Primeiro, o presidente da República anuncia ao País que a Polícia Federal se pronunciará sobre a investigação a respeito da quebra do sigilo fiscal de integrantes do PSDB, numa demonstração explícita de que o conteúdo do posicionamento de uma investigação policial, que se pretendia isenta e sigilosa, seria favorável ao seu partido, o PT.

O Brasil então quer saber:

Se o assunto é tão relevante a ponto de merecer a participação direta do presidente da República, por que a Polícia Federal não divulgou a íntegra dos depoimentos?

A resposta é simples. A leitura dos depoimentos joga por terra toda a farsa montada pelo PT para esconder as vergonhosas e inaceitáveis ações que ocorreram verdadeiramente dentro do comitê da campanha da candidata Dilma Rousseff, em Brasília.

Nas últimas 24 horas o PT, o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff usaram de todos os meios para dizer aos brasileiros que a criminosa ação de venda e de vazamento de dados sigilosos da Receita Federal ocorreu a partir de uma disputa interna do PSDB entre José Serra e Aécio Neves. Disseram isso publicamente a jornalistas e aos eleitores brasileiros.

A candidata Dilma Rousseff afirmou literalmente que o jornalista sob investigação, Amaury Ribeiro Júnior, em seu depoimento à Polícia Federal, teria declarado “que fez o trabalho dentro de um conflito entre dois candidatos à presidência dos tucanos”. Dilma avalizou perante o País inteiro a versão de que o vazamento de dados fiscais da família de José Serra foi uma iniciativa com o objetivo de proteger o governador Aécio Neves contra dossiês feitos por pessoas ligadas ao governador Serra.

A leitura do depoimento prestado pelo jornalista à Polícia Federal, no entanto, revela exatamente o contrário e joga por terra a tentativa do PT de fraudar a verdade: em nenhum momento o jornalista disse ter feito qualquer investigação com o objetivo de proteger o governador de Minas de ações de pessoas ligadas ao governador Serra.

O depoimento é inequívoco ao mostrar as digitais dos responsáveis por negociações e estratégias inaceitáveis num processo de disputa eleitoral de um País democrático. Os nomes estão declarados pelo jornalista e não são de tucanos, e sim do PT.

O depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Júnior traz revelações importantes e necessárias para conhecimento e reflexão dos eleitores brasileiros. São elas:

1- O jornalista diz textualmente que houve pelo menos duas reuniões de integrantes do comitê da campanha de Dilma Rousseff, com data, hora e endereços identificados em Brasília, com o objetivo de contratar serviços de espionagem contra José Serra.

2- Que o comitê da candidata Dilma analisou propostas financeiras feitas para contratação de serviços de espionagem contra integrantes do próprio PT e contra integrantes do PSDB.

3- Que havia uma disputa interna por poder entre dirigentes do PT dentro do comitê da candidata em Brasília.

4- E, por fim, o jornalista atribui claramente a Rui Falcão, do PT, o vazamento dos dados fiscais obtidos por ele.

O depoimento do jornalista revela mais:

Que a obtenção dos dados fiscais ocorreu no final de setembro em data na qual Amaury Ribeiro Júnior, não trabalhava mais para o jornal Estado de Minas. Documentos da empresa mostram que o jornalista encontrava-se em férias, tendo voltado em 14 de outubro para pedir demissão.

Que enquanto trabalhava no jornal, suas despesas eram custeadas pela empresa e, durante o período das férias, suas despesas passaram a ser custeadas por pessoas. Quem pagava as despesas de Amaury? Por que ele sempre passava por Brasília antes de seguir para São Paulo, conforme demonstra a investigação?

As perguntas que o País quer ver respondidas são de quem era o dinheiro que despachante Dirceu Rodrigues Garcia disse à Polícia Federal ter recebido em sua conta corrente em agosto deste ano?

O presidente da República e Dilma Rousseff devem ainda explicar ao País quem autorizou a integrantes do comitê da candidata a fazer negociações de contratos para espionagem e que envolveriam até a contratação de transporte de dinheiro de Caixa 2, conforme afirmou o jornalista em seu depoimento à Polícia Federal.

Todos, incluindo o PSDB, esperam os esclarecimentos que se fazem necessários e urgentes ao País.

Senador Sérgio Guerra
Presidente Nacional do PSDB
Brasília, 21 de outubro de 2010."

21 de out. de 2010

Desespero na hora H

Para líder tucano, agressão a candidato do PSDB reflete velha prática de petistas e aliados

O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), afirmou nesta quinta-feira (21) que a agressão sofrida pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra, é fruto do desespero do PT e de sindicalistas ligados ao partido. O tumulto ocorrido ontem no Rio de Janeiro durante caminhada de Serra foi mais um dentro de uma série de ataques ao PSDB e aos partidos de oposição sob a liderança simbólica do presidente da República.

“Foi um ato de desespero, mas plenamente de acordo com a prática política do PT e de seus braços sindicais infiltrados em organizações sociais. Trata-se de terrorismo e violência que reflete o desespero do PT, pois a eleição caminha para um rumo diferente do que eles esperavam”, afirmou João Almeida, para quem a agressão foi planejada.

O deputado lembrou fatos ocorridos durante o governo Lula nos quais simpatizantes do PT atacaram o patrimônio público e privado. “Já não me surpreende esse tipo de prática porque é algo típico deles - os petistas, sindicalistas e 'organizações sociais' que eles protegem. Não são eles os mesmos que invadiram a Câmara dos Deputados e depredaram tudo em 2006? Não são eles que invadem as repartições publicas e as fazendas? Agora, na campanha, apenas fizeram o mesmo”, comparou.

Em palanques, Lula incitou a militância
O tucano também afirmou que durante seu mandato, principalmente ao longo da disputa presidencial, o presidente Lula desconsiderou as instituições públicas, transgrediu leis e incitou a militância. Presença constante em palanques de Norte a Sul enquanto seu governo ficou paralisado, o petista fez reiterados ataques à oposição na tentativa de eleger seus aliados. Na falação constante, o maior líder petista transmitia a ideia de que os adversários políticos são inimigos - e não adversários - e que certas derrotas nas urnas são difíceis de serem aceitas.

Há cerca de um mês, durante comício da candidata do PT à Presidência em Joinville (SC), o presidente defendeu, em tom furioso, que o DEM fosse "extirpado" da política brasileira. A declaração foi vista por vários segmentos da sociedade como uma afronta à democracia, tal como a perseguição praticada pelo presidente à imprensa. No início desta semana, durante comício na periferia de Goiânia, Lula chegou a afirmar que o candidato tucano ao Governo de Goiás, Marconi Perillo, não tem caráter. Além disso, disse que muitas afirmações de integrantes do PSDB não passam de "xaveco" no ouvido do povo.

No último dia 14, no Piauí, chegou a dizer que a derrota de candidatos da oposição ao Senado era uma vingança divina. “Agora está apenas se consumando essa violência verbal com a agressão ao Serra, uma coisa nunca vista em eleições no Brasil. Trata-se de algo encomendado e que nada teve de casual”, reiterou Almeida.

(Reportagem: Djan Moreno/ Foto: Eduardo Lacerda)

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Mentiras eleitorais

Vellozo Lucas desmonta acusações do PT de que o PSDB quer privatizar a Petrobras

O deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES) rechaçou nesta quinta-feira (21) as acusações do PT de que o PSDB quer privatizar a Petrobras e o petróleo da camada pré-sal. Especialista no setor de petróleo, o tucano afirmou que as acusações são mentirosas e tentam esconder os erros estratégicos da gestão petista que têm prejudicado a empresa. “São mentiras que estão escondendo um erro estratégico que causou, entre outras coisas, a desvalorização da estatal no mercado acionário. A Petrobras é a única empresa do mundo que descobre petróleo e se desvaloriza no mercado por causa da gestão do PT”, condenou.

O parlamentar destacou que o PSDB acredita ser fundamental ter uma estatal forte para liderar os investimentos públicos e privados. “Eles nos acusam de querer privatizar o pré-sal, mas foi o PT que privatizou a Petrobras e os negócios do setor de petróleo entregando setores inteiros a partidos, segmentos e facções para fazerem negócios superfaturados que não beneficiam o interesse público”, criticou Vellozo Lucas.

O deputado cita dois fatos que desmontam a versão petista. Em 1995, o então presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu uma carta para José Sarney, presidente do Senado à época, propondo ao Congresso que a estatal não fosse passível de privatização. O deputado também ressaltou que a Lei do Petróleo de 1997 transformou a empresa, dando a ela a possibilidade de crescimento. “Trouxemos investimentos privados para o Brasil. Com isso a reserva de petróleo dobrou e as reservas quintuplicaram”, explicou o tucano.

Na avaliação de Vellozo Lucas, o fim do monopólio estatal na Petrobras e a abertura da empresa ao capital privado foi uma das maiores realizações do governo Fernando Henrique. “A estratégia do PSDB para o setor de petróleo foi a mais bem sucedida. Isso está sendo desmontado pelo PT. Apesar de o Brasil ser autossuficiente em petróleo, hoje o brasileiro paga a gasolina e o diesel mais caros do mundo”, ressaltou.

O colunista do jornal “O Estado de São Paulo” Alberto Tamer afirmou na edição de hoje que o ex-presidente FHC "recriou a Petrobras". "Está sendo cometida uma grande injustiça com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a respeito da Petrobras. Neste clima político, querem reverter contra ele o enorme trabalho que fez para o Brasil ao abrir o capital da Petrobras, em 1997, atenuando os efeitos nocivos do monopólio estatal do petróleo", escreveu Tamer.


De acordo com o colunista, as medidas adotadas na época trouxeram impactos positivos: hoje a empresa é a quarta maior do mundo em valor de mercado e a oitava entre aquelas de capital aberto. "Um novo orgulho para o Brasil", resumiu.

Iniciativa em defesa da estatal


→ O deputado Otavio Leite (RJ) é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição que proíbe a privatização da estatal. O projeto do tucano garante o controle exclusivo da Petrobras pela União, impedindo a sua venda, e foi entregue ao presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, em outubro de 2009.

(Reportagem: Alessandra Galvão/Foto: Eduardo Lacerda)
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Danos aos cofres públicos

Prejuízos causados pelo rompimento de contratos dos Correios comprovam péssima gestão, afirma Amary

O deputado Renato Amary (SP) lamentou nesta quinta-feira (21) que mais uma vez a “péssima gestão” do governo federal provocará danos aos cofres públicos. O parlamentar se refere ao cancelamento dos dois últimos contratos da Master Top Linhas Aéreas (MTA), empresa envolvida no escândalo de tráfico de influência na Casa Civil, com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) por abandono das linhas de transporte de cargas postais. A empresa não opera desde 27 de setembro, o que obrigou a estatal a contratar substitutas por preços mais altos.

De acordo com reportagem do jornal “O Globo”, os detalhes do cancelamento do contrato foram acertados na última quarta-feira (20) por dirigentes dos Correios, que também calcularam o valor de multas à MTA e do ressarcimento pelos prejuízos. “Estamos vendo uma péssima gestão, marcada sobretudo por ações ilícitas, ilegais e que comprometem o dinheiro público", afirmou o tucano.

Para o deputado, a renovação do contrato da estatal com a MTA foi insensata, pois parecer elaborado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em novembro de 2009, já apontava para o risco de a empresa parar de prestar seus serviços por problemas de administração e endividamento. Mesmo assim, a agência renovou a concessão, que de acordo com as últimas denúncias só saiu graças à influência de Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice Guerra.

O advogado da MTA, Marcos Pagliaro, disse que com a crise na Casa Civil a empresa perdeu crédito com bancos e ficou sem capital, demitiu funcionários e renegociou dívidas com fornecedores. Apesar dos problemas, Pagliaro negou que a instituição fechará as portas ou irá retirar seus aviões do país, dando um calote na estatal. “Os planos são concentrar as atividades no mercado privado, mantendo-se longe de negócios com o governo”, afirmou o advogado à imprensa.

O favorecimento nos contratos da empresa de cargas com os Correios foi um dos motivos que levaram à demissão, em setembro de Erenice Guerra da Casa Civil e do coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva da diretoria de operações dos Correios. Ele fazia parte da nova diretoria nomeada pelo governo em meio à crise administrativa que atinge a ECT. Sua exoneração aconteceu 24 horas depois do jornal "O Estado de S. Paulo" revelar que ele era “testa de ferro” do empresário argentino Alfonso Conrado Rey na MTA.

Amary enfatizou ainda que todos esses fatos comprovam que o atual governo se envolve cada vez mais em escândalos de corrupção ao colocar dentro dos órgãos públicos parentes e pessoas ligadas aos partidos políticos. “Vamos pagar um preço maior por uma incompetência administrativa que produziu um contrato sem compromisso com a ética e com a integridade do patrimônio público”, condenou o tucano. (Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Eduardo Lacerda)

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Prioridade nacional

Senador defende escola em tempo integral com ensino de qualidade e professores bem remunerados

Uma escola infantil e fundamental de tempo integral, gerenciada por professores vocacionados, competentes e remunerados com dignidade e organizada a partir de um zoneamento limitado às proximidades das moradias dos alunos. Essa foi a receita apresentada pelo senador João Faustino (RN) ao analisar, em discurso, a situação de milhares de crianças brasileiras que vivem sem creche, sem escola de qualidade e até sem família.

"A escola que vai resolver os problemas de nossas crianças não é aquela que funciona três ou quatro horas por dia, que terminado esse tempo mínimo ficam os seus alunos entregues à própria sorte, sem ambiente de estudo em casa, sem orientação adequada", alertou o tucano.

Na avaliação do senador, o Brasil deve investir em uma escola de tempo integral com um currículo voltado para o ensino de linguagem e do raciocínio lógico-matemático. Ele informou que todos os participantes do Fórum da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, realizado recentemente, foram unânimes em considerar a escola como o local adequado para a formação integral da criança.

Os especialistas em educação que participaram do encontro concluíram que neste ambiente as crianças podem, além de receber os conteúdos educacionais, praticar esporte e participar de manifestações culturais. Para isso, completou Faustino, é necessário que haja um local seguro para que pais e mães possam deixar seus filhos lá e ir trabalhar com tranquilidade, com a certeza de que as crianças não estarão nas ruas, mas sob a tutela de professores dignos.

Escola ruim impacta diretamente o desenvolvimento nacional
"Ou construímos rapidamente uma escola pública de qualidade ou ficaremos à margem do desenvolvimento pleno, e seremos sempre uma nação constituída majoritariamente de cidadãos que vivem à margem do saber, da cultura e de uma vida digna."
Senador João Faustino (RN)

(Da redação com Ag. Senado/ Foto: Geraldo Magela)

Propina oficial

Pagamento de bônus para servidores do Dnit cumprirem metas do PAC é imoral, condenam tucanos

Deputados do PSDB condenaram o pagamento de um bônus concedido a quase três mil servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) como forma de incentivo para que eles superem as metas do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). De acordo com a ONG Contas Abertas, os funcionários da autarquia federal receberam R$ 45 milhões desde que a medida foi criada, em dezembro de 2009.

Para o deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), a gratificação é eleitoreira e imoral. “É mais uma imoralidade do governo do PT, que tem a preocupação de demonstrar neste período eleitoral uma competência ausente em quase oito anos de gestão. O PAC, no que se refere à execução efetiva, tem ficado muito aquém daquilo que deveria ser", condenou o parlamentar.

"E essa história de distribuir dinheiro público a roldão para servidores públicos que já recebem dos cofres públicos para executar o seu trabalho deve ser questionada, mas não há nenhuma dúvida quanto a absoluta imoralidade do gesto”, completou Pannunzio.

Para merecer o bônus, que variou de R$ 3,3 mil a R$ 28,7 mil, o funcionário teve de cumprir metas fixadas pelo órgão. O bônus especial de desempenho institucional foi instituído em dezembro de 2009 e contemplou os servidores em atividade no Dnit. De acordo com a legislação, a gratificação foi concedida em função da superação de metas específicas previamente estabelecidas para a área de infraestrutura de transportes. Pelas regras, somente seria concedido o incentivo se os resultados da apuração das metas superassem em pelo menos 10% os objetivos pactuados.

A rubrica aparece no Orçamento Geral da União não em gratificação, mas em “premiação culturais, artísticas, científicas, desportivas e outras”, de onde saem, por exemplo, prêmios para políticos, autoridades, personalidades e atletas. “É a figura de propina eleitoral. É dar algo mais, com dinheiro público, para servidores cumprirem com sua obrigação. É absolutamente imoral”, criticou Pannunzio.

A oposição tentou barrar o benefício durante as discussões no Congresso. Em entrevista ao jornal “Correio Braziliense”, o deputado Arnaldo Madeira (SP) afirmou que o bônus entrará para a história do governo como uma das maiores distorções aprovadas pelo Legislativo. “É um dos grandes absurdos deste governo e desta legislatura: votar uma lei para gratificar o servidor que faz o trabalho que já foi contratado para fazer. O fato é que o Congresso concordou com isso, gastando dinheiro público”, reprovou.

De acordo com levantamento do Contas Abertas, a premiação parece ter sido um dos motivos que estimularam os servidores do Dnit, já que os investimentos do chamado “PAC Orçamentário” – com recursos do orçamento da União – cresceram 50% entre janeiro e setembro em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com dados extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal (Siafi), em todos os meses deste ano, exceto em agosto, o Dnit superou os valores pagos nos mesmos meses do ano passado. Em março, por exemplo, o órgão aplicou R$ 517,7 milhões a mais do que em 2009.

“Prevendo o fracasso, o governo resolveu programar o bônus, como se os culpados pelo atraso das obras fossem os operários e os funcionários do Dnit - e não a conhecida incapacidade de gestão dos ministros, gerentes e assessores do governo Lula”, disse o deputado José Aníbal (SP) ao site "Contas Abertas".

Mau desempenho, mesmo com pagamento extra

19,87%
É quanto o Dnit executou do orçamento do PAC autorizado para este ano. Dos R$ 11 bilhões, foram gastos apenas R$ 2,2 bilhões, o equivalente a 19,87% do total. Os dados são do Siafi e se referem até o último dia 11 de outubro.

(Reportagem: Alessandra Galvão/Foto: Eduardo Lacerda)

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