9 de nov. de 2010

Novos deputados (5)

César Colnago quer tirar o ES da “lanterna” dos investimentos nacionais

Político com vasta experiência, César Colnago (ES) foi eleito com 80.728 votos. O tucano exerceu três mandatos de vereador, além de ter atuado como deputado estadual e secretário em três pastas: de Meio Ambiente; de Educação; e a de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca. Colnago também desempenhou a função de coordenador de governo na Prefeitura de Vitória na gestão do ex-prefeito e atual deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES). Foi, ainda, líder do governo Paulo Hartung na Assembleia Legislativa e presidente desse mesmo órgão.

As prioridades de Colnago na Câmara serão a educação e o desenvolvimento da agricultura. O novo deputado ressaltou a importância da formação técnica e da geração de emprego para os jovens. Além das políticas nacionais, o novo parlamentar se compromete a defender os interesses dos capixabas e tirar o Espírito Santo da “lanterna” dos investimentos nacionais.

Médico, o futuro deputado afirmou que a área de saúde deixa muito a desejar e, por isso, cobrou investimentos para o setor, como a regulamentação da Emenda Constitucional 29. “É importante investir em gestão e capacitação para atender os cidadãos no momento em que eles se encontram fragilizados”, apontou.


O tucano criticou ainda a alta carga tributária e defendeu a prestação de serviços públicos mais eficientes, sem qualquer tipo de aumento dos impostos. “O Estado precisa dar mais retorno em saúde, educação, segurança pública, investimentos em infraestrutura e logística, além de propiciar o desenvolvimento econômico e a geração de emprego e renda”, enumerou. (Reportagem: Alessandra Galvão/ Foto: divulgação)

Leia também:

Novos deputados (6)

Câmara ganha mais um defensor da reforma tributária e de um novo pacto federativo

Domingos Sávio (MG) assumirá seu mandato na Câmara com o compromisso de defender a reforma tributária. Segundo o tucano, sem essa mudança constitucional o país continuará fadado ao atraso, pois o governo cobra muitos impostos e gasta mal o dinheiro arrecadado.

Sávio quer uma melhor redistribuição dos recursos públicos, principalmente em relação aos repasses para os municípios. Ainda de acordo com o parlamentar, isso permitirá que as cidades tenham condições de se preparar melhor para atender seus moradores. Além disso, durante a campanha o tucano defendeu uma reforma que desonere a produção, com impostos incidindo apenas no consumo final.

Nascido em São Tiago (MG), o deputado eleito atuou em Divinópolis como presidente do sindicato rural da cidade. Médico veterinário formado pela UFMG, foi eleito vereador em 1992, presidente da Câmara em 1994 e prefeito da mesma localidade em 1996. Em 2002, conquistou uma vaga como deputado estadual, sendo reeleito com o dobro dos votos em 2006.


Logo que assumiu, chamou a atenção por ser o autor da proposta de fim do sigilo bancário para políticos detentores de cargos eletivos em Minas, sendo que ele próprio deu o exemplo. "Foi uma forma de defender a transparência, a ética e o combate à corrupção na vida pública. Transparência é algo essencial na vida pública do parlamentar”, reiterou. Sávio promete cumprir plenamente na Câmara as prerrogativas parlamentares de elaborar e votar leis, além de fiscalizar os atos do governo. (Reportagem: Artur Filho/ Foto: DiviNews)

Leia também:

Direto do Twitter

@fernandochucre Enem falha de novo. Dinheiro jogado no lixo, tempo de estudo dos alunos desperdiçado e incompetência explícita do governo.

@duarte_nogueira Acho que precisa ser aplicado o Enem no gabinete do ministro da educação. Não acertam nunca. Que vexame.

@carlossampaio_
Problemas na aplicação do Enem refletem má administração da educação http://migre.me/25Soj
O link remete a uma reportagem da Agência Tucana na qual a senadora Marisa Serrano (MS) afirma que os sucessivos transtornos ocorridos neste exame são um exemplo de como a educação não tem sido tratada como prioridade pelo governo Lula.

@ClaudioDiaz45 O governo federal precisa de um instrumento de controle eficiente para que essas falhas no Enem não aconteçam mais.

@deputadoHauly Estudo da FIESP aponta perda de R$ 56 bilhões do orçamento da Educação por má gestão. Com tanta carência e esse desperdício de dinheiro público.
Nesta segunda-feira, o blog do "Diário Tucano" destacou o mesmo tema, com avaliação da deputada Professora Raquel Teixeira (GO). Leia: http://migre.me/25Xmh

@carloslereia A recriação da CPMF além de desnecessária irá vir a prejudicar novamente os cidadãos.Não vejo necessidade alguma desse imposto voltar à tona.

@azeredosenador Artigo debate necessidade de combate ao crime digital http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0611201008.htm
O link remete ao texto assinado pelo tucano, publicada na edição de segunda-feira pela "Folha de S. Paulo", no qual Azeredo defende aprovação, na Câmara, de projeto de lei sobre crimes de informática. Se você não for assinante do jornal, leia a íntegra AQUI.

Artigo

A internet e a lei

(*) Eduardo Azeredo

Neste ano, foi possível verificar um papel mais relevante da internet nas eleições brasileiras. Em parte pela minirreforma eleitoral que aprovamos no Congresso, liberando o uso das ferramentas da rede para candidatos, mídia e eleitores, e muito pelo fato de que chegou a 62 milhões o número de usuários de computador no Brasil.

A campanha teve dois aspectos: o primeiro, benéfico, foi o uso das ferramentas digitais, em especial das redes sociais, como forma de mobilização da militância e de comunicação entre candidatos e eleitores. O segundo, bastante nocivo, foi a disseminação de informações contra os adversários, escondidas sob o manto do anonimato.

Em recente artigo, o cientista político Murilo Aragão citou Arthur Schopenhauer e, aqui, alio-me aos dois: "O anonimato serve para tirar a responsabilidade daquele que não pode defender o que afirma". E, ainda, o anonimato na internet tira a credibilidade da própria rede. Reduz o debate a meras acusações.

Uma situação lamentável, sobretudo porque o Brasil não dispõe de legislação capaz de coibir a prática de crimes digitais contra a honra. Como não há legislação nesse sentido, os responsáveis pelos ataques não são devidamente punidos.

Ainda em outubro, tive a oportunidade de participar da "Cyber Conference on Cyber Security", realizada na Inglaterra, e de, mais uma vez, debater a gravidade dos delitos digitais em todo o mundo.

Precisamos de um arcabouço legal que inclua os cibercrimes e que seja capaz de punir os criminosos que estão fazendo uso da internet porque o crime virtual é mais fácil, mais rentável e oferece menores riscos potenciais.

Os crimes contra a honra são apenas uma das faces perversas do mau uso da informática. Segundo relatório divulgado pela Microsoft, o Brasil é o quarto país do mundo mais infectado por vírus e programas capazes de furtar informações, alterar ou destruir dados.

O número de denúncias de fraudes na internet passou de 54.607 em 2007 para 218 mil apenas no primeiro trimestre de 2009, de acordo com o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Os prejuízos corporativos são enormes, assim como são enormes os prejuízos pessoais.

Sim, porque quando se é vítima de calúnia, difamação ou mesmo do furto de informações digitais, não há a quem reclamar.

É dever constitucional do Poder Legislativo suprir essa lacuna. O Senado aprovou em julho de 2008 a proposta que tipifica e determina punições para os crimes digitais.

O texto modifica cinco leis e tipifica 13 delitos, entre eles os de difusão de vírus, falsificação de cartões de crédito, clonagem de celulares, furto de informações sigilosas, calúnia, injúria e racismo quando cometidos pela internet. A proposta tramita há mais de uma década no Congresso Nacional e, de volta à Câmara, está em fase de revisão.

Entretanto, na incompreensão de que uma lei dessa natureza seja necessária ao país, falsas informações são sempre divulgadas. Fala-se em cerceamento da liberdade de expressão, censura, criminalização em massa de usuários.

Nada disso é verdade! A proposta fala da punição de criminosos, do direito penal aplicado às tecnologias. O projeto não trata de pirataria -matéria já tratada em lei específica. E não atinge aqueles que baixam músicas ou dados que não estejam sob restrição de acesso.

É hora de parar com essas acusações, até infantis. O Brasil, como demonstrado durante a campanha eleitoral, precisa de uma legislação séria e que definitivamente combata os delitos digitais. Respeito os que pensam o contrário, mas creio que estão sob o risco de serem coniventes com a anarquia digital.

(*) Eduardo Azeredo, 62, engenheiro com especialização em informática, é senador pelo PSDB-MG e deputado federal eleito. Foi prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas Gerais. Artigo publicado na "Folha de S. Paulo" em 8 de novembro de 2010. (Foto: Ag. Senado)

8 de nov. de 2010

Trapalhadas em série

Para tucanos, erros no Enem são resultado da má gestão do governo federal

Deputados do PSDB culparam nesta segunda-feira (8) o governo Lula pelos inúmeros erros encontrados nas provas aplicadas neste final de semana do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os tucanos atribuíram as falhas à má administração federal e ao descaso do Planalto com a educação e o próprio exame, que para muitos jovens é a principal porta de entrada do ensino superior.

A Justiça Federal acatou na tarde de hoje liminar do Ministério Público Federal e determinou a imediata suspensão do Enem. Para a juíza da 7ª Vara Federal, Carla de Almeida Miranda Maia, o requerimento colocado à disposição dos estudantes prejudicados não resolve o problema. A decisão tem efeito em todo o Brasil. O Ministério da Educação já havia admitido que soube das falhas apenas ao abrir e distribuir as provas e que o órgão responsável pelo exame, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), não checou a impressão final. O MEC queria reaplicar a prova para cerca de 2 mil estudantes.

Na avaliação da deputada Professora Raquel Teixeira (GO), os erros são fruto da falta de seriedade dos responsáveis pela organização do Enem. "A perpetuação do erro mostra a falta sistemática de seriedade na condução de um exame importantíssimo que passou a estar acompanhado de problemas e escândalos, baseados exatamente na má administração. Um exame caríssimo e importantíssimo que corre o risco de se desvalorizar como instrumento de medição", criticou.

Uma das principais falhas na impressão da prova foi na folha de respostas, que trazia cabeçalhos invertidos. No caderno de perguntas, as questões de 1 a 45 eram de ciências humanas e, de 46 a 90, de ciências da natureza. Na folha de respostas, o cabeçalho de ciências da natureza aparecia primeiro (na numeração de 1 a 45) e o de ciências humanas vinha depois (na numeração de 46 a 90). Outro problema ocorreu com as provas de cor amarela que tinham questões do caderno branco encartadas erroneamente e, por causa disso, 31 perguntas estavam com numeração duplicada ou sequer existiam.

A parlamentar também defendeu a realização de uma nova prova. “Erros primários e absurdos colocam sob suspeita todo o resultado do exame. Por mais caro que tenha custado, por mais absurdo que seja o país perder esse dinheiro, talvez a forma mais justa com os alunos seja cancelar tudo”, defendeu a tucana.

O deputado Lobbe Neto (SP) também acredita que o Enem deve ser repetido e defende que mais esse erro seja analisado pelo Ministério Público Federal (MPF). O MPF foi acionado para acompanhar o vazamento de dados dos candidatos (veja cronologia abaixo) no dia 12 de agosto, após o pedido feito pelos líderes do PSDB e da Minoria na Câmara, João Almeida (BA) e Gustavo Fruet (PR).

O tucano lembra ainda que os problemas com o exame se tornaram corriqueiros desde o ano passado e essa sucessão de falhas colocou a seleção em descrédito. “Acredito que os estudantes estão perdendo a confiança em relação a essas provas, pois parece algo sistemático já que agora todo ano aparecem erros. Esses fatos geram uma insegurança muito grande para a juventude”, lamentou.
(Reportagem: Djan Moreno/ Fotos: Eduardo Lacerda)

Cronologia do descaso


Outubro de 2009 - MEC cancela o Enem após ser avisado por reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" que a prova havia vazado. Exame é remarcado para dezembro, mas grandes universidades como USP, Unicamp e PUC desistiram de usá-lo em seus vestibulares.

Dezembro de 2009
- Dos 4,5 milhões de inscritos, só 1,5 milhão fizeram o Enem. O Inep divulga gabarito errado das provas.

Janeiro de 2010 - O Sisu, sistema online do MEC para candidatura a vagas nas federais usando o Enem, estreia com problemas de lentidão e erros. Alunos demoraram até 14 horas para fazer inscrição.

Fevereiro de 2010 - Novas falhas no sistema fizeram com que estudantes não classificados aparecessem como convocados para matrícula. Além disso, o Inep admite que um problema na digitalização das redações do Enem levou à divulgação errada das notas de 915 estudantes.

Agosto de 2010 - Informações sigilosas como RG, CPF, notas e número da matrícula dos estudantes inscritos no Enem em 2007, 2008 e 2009 foram exibidas no site do Inep. O caso veio à tona em reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" no dia 4 de agosto. Os dados foram retirados do ar no mesmo dia.


R$ 128,5 milhões
Foi o custo do Enem 2010. Um salto de 28% em relação a 2009.


4,6 milhões
É o número total de estudantes que se inscreveram no exame aplicado no último
fim de semana.

Leia também:
Ouça aqui o boletim de rádio

Ações engessadas

Deputada defende autonomia das escolas para melhorar a educação do país

A deputada Professora Raquel Teixeira (GO) lamentou nesta segunda-feira (8) a administração ineficiente dos recursos públicos investidos na educação no Brasil. Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o problema provoca a perda anual de R$ 56 bilhões. De acordo com reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, caso o país investisse na área com a mesma eficiência de outros sete países da América Latina, a média de escolaridade nacional subiria 2,4 anos e o PIB per capita aumentaria 10,5% em dez anos.

A tucana disse que, por mais esforço que os gestores façam, eles não são qualificados para melhorar a qualidade do ensino. “A dificuldade das nossas escolas em ter autonomia engessa as ações dos diretores. O Brasil precisa pensar urgentemente numa gestão mais flexível”, cobrou.

Para mudar esse quadro, a parlamentar também defendeu uma gestão mais eficaz com avaliação e cobrança de resultados. “É necessário um planejamento estratégico. Isso depende de uma política pública voltada para a área e de um estímulo que venha de cima para mudar a forma de administrar os recursos da educação”, ressaltou.

Ainda segundo a reportagem do "Estadão", entre 1999 e 2008, o Brasil gastou US$ 978 anuais por estudante, resultando em uma média de 6,1 anos de estudo da população. As sete nações latino-americanas (Uruguai, Bolívia, El Salvador, Peru, Paraguai, Nicarágua e Equador) usadas no comparativo gastaram em média 7,4% a mais que o país (US$ 1.050 por estudante) e a escolaridade da população ficou 35,2% superior à brasileira.

O levantamento mostra que o Brasil investe mais que os outros países da América Latina, mas tem resultados menos efetivos na aprendizagem, na taxa de aprovação e no desempenho. Para a deputada, isso ocorre devido a falta de políticas adequadas para o setor. “Não adianta só jogar o dinheiro. É preciso formar os gestores e ter bons sistemas de avaliação sem problemas de operação como existe hoje”, ressaltou, referindo-se ao erros provocados pelo governo federal no Enem.

China também gasta menos que Brasil, mas tem ensino mais eficiente

→ A taxa média de analfabetismo nacional foi de 11,3%, e a desses países da América Latina, de 8%. A repetência dos alunos do primário, no Brasil, atingiu 21,4% dos alunos - índice também muito superior a dos outros países latino-americanos, que tiveram 5,8% de repetência.

→ Além da média dos anos de escolaridade, o país fica atrás na qualidade do ensino oferecido. Das 57 nações que participam do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) - exame que mede habilidades de jovens de 15 anos em leitura, ciências e matemática -, o Brasil ficou com a 52ª posição, perto de países do Oriente Médio e África.

→ Na comparação com outros países, o Brasil perde ainda mais. A China gasta o correspondente a 48,5% do gasto do Brasil, mas tem anos de escolaridade 19% superior, além de uma menor taxa de analfabetismo. (Reportagem: Letícia Bogéa)

Ouça aqui o boletim de rádio

Enganação pós-eleitoral

Recriação da CPMF é uma forma de enganar o povo, avalia Rafael Guerra

O deputado Rafael Guerra (MG) afirmou que a recriação da CPMF é desnecessária, já que o governo federal vem batendo recordes de arrecadação nos últimos dois anos. Para o tucano, não há justificativa para a volta do chamado “imposto do cheque”. O presidente Lula e a eleita Dilma Rousseff defendem a contribuição como nova fonte de receitas para a Saúde. Mas, segundo estudo divulgado pelo jornal “Folha de São Paulo”, a receita ao longo da gestão petista cresceu o equivalente a duas vezes a arrecadação do tributo, mesmo com a derrubada da contribuição em 2007 pelo Congresso.

No início do segundo mandato de Lula, durante as negociações para prorrogar a CPMF, o governo prometeu elevar o orçamento da Saúde - que, com a contribuição de Estados e municípios, fica em 3,6% do PIB, metade do padrão de países do primeiro mundo. Mas depois da derrota no Congresso, os planos foram abandonados, embora a arrecadação tenha continuado em alta. Elevaram-se o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Por isso, para Rafael Guerra, a volta da CPMF “é uma forma de enganar o povo e consumir a renda dos brasileiros em mais impostos”.

De acordo com o levantamento da Folha, praticamente nada desse aumento de arrecadação significou elevação significativa do gasto em Saúde, que, ao longo desta década, apenas oscilou em torno de uma mesma média. Não houve alta antes nem queda depois da extinção do tributo, hoje novamente cogitado como solução para o financiamento do setor.

Na avaliação do parlamentar, essa é mais uma comprovação da não necessidade de ressuscitar a CPMF. De acordo com o deputado, que é médico, o governo Lula deveria priorizar a área da Saúde com os recursos já existentes. “O que falta é prioridade política do governo para apoiar a Saúde. O governo só tem o discurso de que apoia o setor, principalmente na época de campanha. Depois da eleição mudou o discurso, enganou o povo mais uma vez e agora quer cobrar o imposto do cheque. A CPMF é desnecessária, basta ver os recordes de arrecadação”, destacou nesta segunda-feira (8).

A primeira gestão petista elevou as contribuições sociais, cujos recursos são destinados à Previdência, à assistência social, ao seguro-desemprego e à Saúde. Criou-se a contribuição previdenciária dos servidores inativos e elevaram-se alíquotas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).


Mas os recursos adicionais foram usados para ampliar programas como o Bolsa Família e pagar aposentadorias. Já as verbas da Saúde seguiram a regra, instituída em 2000, que fixa aumento correspondente ao crescimento da economia. Com isso, os recursos ficaram estáveis, com pequenas variações para cima ou para baixo, em torno de 1,7% do PIB.

Guerra disse ainda que o governo atual trata a questão da Saúde com descaso. O parlamentar defendeu a regulamentação da Emenda 29 para garantir mais recursos para o setor. De acordo com o tucano, a medida deveria estar em vigor desde 2004. “Durante seis anos o governo empurrou isso com a barriga e continua empurrando”, afirmou.

Dinheiro não faltará para novo governo

→ Para o ano que vem, o Congresso chega a estimar uma receita na casa dos 25% do PIB, ou R$ 985 bilhões. Segundo levantamento da "Folha", o Tesouro Nacional absorvia em 2003, primeiro ano de Lula, 21% da renda nacional, por meio de impostos, taxas, contribuições e outras fontes. Em 2011, com Dilma Rousseff, a proporção deverá se aproximar de 24%.

(Reportagem: Alessandra Galvão/Foto: Eduardo Lacerda)

Ouça aqui o boletim de rádio

Desleixo com o erário

Hauly: dinheiro público das estatais não pode bancar eventos de luxo

O deputado
Luiz Carlos Hauly (PR) criticou nesta segunda-feira (8) o governo federal por não fiscalizar a maneira como o dinheiro público está sendo usado em patrocínios de eventos. O parlamentar se refere ao exemplo citado em reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” sobre evento que será realizado pela Associação dos Juízes Federais (Ajufe). A associação conseguiu mais de R$ 380 mil da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para promover um encontro dos magistrados em um resort luxuoso da Bahia.

Para o tucano, essa é uma área que precisa ser mais fiscalizada pela gestão interna, como a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União, mas também pelo Ministério Público Federal, pois “o governo não pode bancar o luxo de seus servidores”. “É importante que o Judiciário, o Ministério Público, o Executivo e o Legislativo tenham seus cursos de capacitação de forma rotineira, dentro de uma estrutura pública, e não eventos esporádicos em recantos turísticos de custo elevado. É preciso rever toda essa situação”, criticou.

As estatais, explicou Hauly, têm um fundo reservado a patrocínio de eventos para que possam agregar conhecimentos aos seus servidores. Mas, segundo o deputado, o patrocínio só deve ser autorizado se os eventos contribuirem para melhorar o desempenho dos funcionários. Apesar de a Ajufe não divulgar a programação, a “Folha” obteve informações de que o foco do evento está mais voltado para atividades esportivas (oficinas de golf e arco e flecha) e sociais (jantar de abertura e show) do que à programação científica, que inclui palestras sobre temas jurídicos.


Para participar do encontro, cada magistrado desembolsará apenas R$ 750. Terá todas as despesas pagas, exceto passagens aéreas, e poderá ocupar, de quarta-feira a sábado da próxima semana, apartamentos de luxo e bangalôs cujas diárias variam de R$ 900 a R$ 4.000 no resort da Ilha de Comandatuba. Também serão custeados os gastos dos acompanhantes dos juízes, que irão pagar somente a taxa de inscrição.


Também patrocinaram o evento o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, Souza Cruz, Eletrobras e Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). As três últimas não quiseram informar o valor dado à associação. “É preciso ter parcimônia e mais cautela com o dinheiro público. A nossa sociedade não aguenta pagar tantos impostos e ver tanta manipulação indevida dos recursos públicos”, enfatizou o tucano.


Gastos com viagens ao exterior quintuplicaram

→ Segundo reportagem do jornal "Correio Braziliense", o Tesouro Nacional bancou R$ 86 milhões de ajuda de custo a funcionários públicos em viagens ao exterior. O valor é suficiente para comprar 1.790 casas do programa Minha Casa Minha Vida, orçadas em R$ 48 mil a unidade no Distrito Federal (DF).

→ Esse montante é cerca de 5 vezes maior do que o desembolsado em todo o ano de 2000, R$ 18,1 milhões, e está prestes a superar o recorde do ano passado, quando foram liberados R$ 95,3 milhões. Ainda segundo a matéria, os gastos disparam em meses que antecedem às férias, indicando que as viagens a trabalho acabam se transformando em lazer. (Reportagem: Renata Guimarães / Foto: Eduardo Lacerda)

Ouça aqui o boletim de rádio